Não se deixava perturbar pelas caçoadas
Adaptado à democracia, o prefeito de Apucarana, Luiz José dos Santos, não se deixava perturbar pelas caçoadas. Nem mesmo quando a editora Enaura de Carvalho publicou na Gazeta de Apucarana uma "metáfora" sobre o físico avantajado do administrador: "Apucarana é tão fértil que produz mamão de 130 quilos".
Ah! Se fosse no tempo do Ribas... Não daria de "segurar cascavel pelo rabo", expressão do médico Adolfo Barbosa Góis, redator da Folha do Sul, que o tenente Luiz fechou em Londrina. Em 1942.
"Proeminentes da cidade" haviam concordado em ceder uma parcela do dinheiro arrecadado para a construção da Santa Casa de Londrina a uma obra em Curitiba, coordenada pela esposa de Manoel Ribas. "A triste notícia chegou aos ouvidos" de Góis, que não pensou "duas vezes em guardar sigilo ante assunto indecoroso e indígno", tema do editorial "Cortesia com o chapéu alheio".
Soube-se que o interventor "se tornou rebarbativo, com repentes de histeria" ao ler. Gráfico do jornal, Walmor Caffaro recordaria que "o delegado e seus beleguins" invadiram o local, ameaçaram agredi-lo e levaram os arquivos, o estoque de papel, componentes de impressão etc., que ensacaram e puseram num caminhão. E pregaram as portas e as janelas.
"Morria assim, de forma violenta, a Folha do Sul", resumiu dr. Góis. "Tinha-me esquecido de que estávamos em plena ditadura de Getúlio Vargas." (W.S.)





