'Não se chega a lugar nenhum sozinho'
''Uma grande família.'' Assim a pedagoga de Apucarana (Norte) Sandra Regina Casari, 36 anos, define a relação dela com o filho único Matheus, 17. Mãe solteira aos 18 anos, ela quase desistiu do menino que hoje é seu ''maior companheiro''.
Sua batalha começou quando foi adotada por um casal de vizinhos da sua mãe biológica. ''Meu pai não me assumiu, então ela me deu para adoção'', relembra a pedagoga, que precisou amadurecer aos 12 anos, quando os pais adotivos se separaram. ''Fiquei com meu pai'', lembra Sandra, que começou a trabalhar como empregada doméstica e parou de estudar na oitava série. ''Engravidei no final da adolescência e o pai do bebê pediu que abortasse. Tive de sair de casa pois minha madrasta também não me aceitava.''
E foi num reencontro com a mãe adotiva que ela decidiu mudar de vida. ''Ela tinha uma casa em Londrina e sugeriu que eu viesse para cá com meu filho e voltasse a estudar. Terminei o supletivo, passei no vestibular para Pedagogia, emendei uma especialização e, por indicação dos professores, iniciei o mestrado.''
Trabalhando como diarista para sustentar o filho, muitas vezes ela levava o pequeno junto para assistir as aulas do supletivo. E contou com a ajuda de amigos para cuidar do garoto enquanto ela estava na faculdade. ''Às vezes não tinha dinheiro para o ônibus nem para o xerox das matérias'', revela. ''Se não fosse Deus e as pessoas que me ajudaram, não teria conseguido. Não se chega a lugar nenhum sozinho.''
Hoje Sandra é professora do ensino fundamental e acaba de iniciar um curso de inglês com o filho. ''Me considero uma pessoa alegre e sei que tenho muitas coisas para conquistar ainda. Desafios me motivam'', declara a pedagoga, que encontrou nos livros uma paixão para a vida toda.
''Ensino meu filho a se dedicar à leitura, pois os livros me deram diferentes visões de mundo. No início eu achava que seria doméstica para sempre e hoje olho a minha própria história e tenho a sensação de que não fui eu quem viveu tudo isso.'' (M.G.)





