Não são 33, são mais, diz delegado
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de agosto de 1998
James Alberti 
O delegado Adauto Abreu de Oliveira, 47 anos, provoca temor e inveja quando abre a boca. Considerado pelos colegas um dos policiais mais sérios do Paraná, Oliveira denunciou, em abril deste ano, que pelo menos 33 policiais civis da Região Metropolitana de Curitiba estavam envolvidos com o tráfico de drogas. Agora, o curitibano, parnanguara de coração, vai além. São mais de 33. Temos duas mil denúncias e grande parte delas envolve policiais, afirma.
Apesar disso, o delegado acredita que a polícia ainda tem credibilida, por causa das pessoas que estão no comando, que são pais idônios. Para ele, os desvios de conduta dos policiais corruptos vão continuar aparecendo e devem ser denunciados e punidos com rigor. Porque são os piores bandidos, diz.
Com 19 anos de polícia, Oliveira acha que obteve o maior reconhecimento profissional quando membros do Rotary e dos Conselhos Comunitários de Segurança cobraram do governador Jaime Lerner a permanência dele a frente da Delegacia de Anti-Tóxicos. Foi o maior presente da minha carreira, afirma ele, que sonhou ser policial quando criança. Queria prender bandidos.
Casado com uma delegada, pai de seis filhos, Oliveira revela ao leitor da Folha como mudou a imagem da delegacia de Anti-Tóxicos; diz que tem nomes e provas que incriminam colegas de trabalho e como pretende prendê-los. Se bate no maus, defende os bons agentes. Acha que eles podem até ser violentos para evitar uma violência maior. Eu atirei em gente... eu matei gente, mas não sou homicida. Veja a seguir os principais trechos da entrevista, concedida na futura sede da Força Especial de Repressão Anti-Tóxico (Fera), grupo especial que ele irá comandar.


