Não queremos ir para pedreiras
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terça-feira, 10 de dezembro de 1996
Da Redação 
Quarenta e dois alqueires seriam suficientes para garantir habitação às famílias que moram hoje nas favelas de Londrina, segundo cálculo do presidente da Federação das Associações das Favelas, José Ricardo da Silva. A área, em sua opinião, deve ser distribuída em várias partes para manter os moradores na região em que vivem hoje.
Segundo o prefeito eleito, Antonio Belinati (PDT), loteamento popular será prioridade na sua administração. Será um dos pontos fortes. Mas ele ainda não sabe se a Prefeitura poderá comprar os 42 alqueires. Nessa área daria para assentar 2.000 famílias, afirma. Segundo ele, está previsto ampliar a região do Jardim União da Vitória (zona sul) para assentar mais famílias.
Não queremos ir para pedreiras. Queremos ficar nos Cinco Conjuntos, reivindica Rogério de Oliveira, o Tarzan, que lidera a Associação dos Moradores do Loteamento do Aquiles Stenghel (zona norte).
Nas contas do presidente da Cohab, Wilson Sella, seriam necessários R$ 3 milhões para urbanizar as favelas de Londrina. Ele afirma que, em janeiro de 1993, quando Luiz Eduardo Cheida assumiu a Prefeitura, havia na Cidade 33 favelas, das quais 27 forma urbanizadas com dinheiro da Prefeitura. A União e o Estado não enviaram verba nenhuma para urbanizar favelas.
A Cohab tem projetos prontos para as outras seis. Faltam recursos. Nos últimos quatro anos, houve mais cinco invasões. Se a próxima administração der continuidade ao nosso trabalho, em um ano esse problema estará resolvido, garante Sella. De acordo com ele, menos de 1% da população londrinense mora em favela. É uma situação bastante privilegiada, se compararmos com outros municípios. Em Salvador, 35% dos moradores estão nas favelas. Em Recife, são 40%. Em Campinas, 17%. Justamente por isso, é fácil resolver o problema aqui.
Na opinião de José Ricardo, a situação dos favelados melhorou bastante na gestão Cheida. Fizeram um trabalho social muito bonito. Famílias que estavam há 16 anos na favela Colosso, por exemplo, foram tiradas de lá. José Ricardo diz que o favelado não está brigando para ter uma casa pronta. Quer apenas um lote barato.
Queremos um loteamento popular, com assistente social para constatar se as famílias são mesmo carentes. O preço deve ser acessível. Dessa forma, Londrina não terá mais invasão de lotes nem especuladores.
No Programa Morar Melhor, da Cohab, foram vendidos lotes com prazo de 15 anos para pagamento. O valor médio da prestação é de 10% do salário mínimo. O tamanho dos lotes varia entre 120 m2, 150 m2 e 200 m2, dependendo da área.
(Carina Paccola)


