‘Não podemos repudiar países cuja
lei e cultura aceitam a poligamia’
Folha - O conceito de família está muito ligado à religião. O organismo tem alguma orientação religiosa?
Deisi - Absolutamente não. Nem religiosa e nem política. Até porque somos 87 países e temos países árabes, que na maioria são muçulmanos, temos judeus, cristãos. Temos a Holanda, que é muito liberal no conceito da família. Respeitamos a cultura e os conceitos de cada região. A nossa cultura ocidental, por exemplo, defende a monogamia. Mas não podemos repudiar os países cuja lei e cultura aceitam a poligamia. Podemos discutir esses conceitos, mas jamais condená-los. Aceitamos o que é cultural e legal em cada país.
Folha - A senhora segue alguma religião?
Deisi - Fui criada com o conceito evangélico. Minha mãe me criou na Igreja Batista. Depois eu fui à Polônia. Meus conceitos mudaram um pouco quando eu assisti como era encarada a questão religiosa, na época, nos países do bloco socialista. Apesar da formação evangélica, não sei se a religião é importante. Acho que sua fé com Deus é muito mais importante. Ter uma confissão religiosa é um exercício da sua fé. As pessoas devem escolher esse exercício, se quiserem.
Folha - Quais os desafios que a senhora vai enfrentar?
Deisi - O maior desafio da família no mundo hoje é a volta dos valores morais, cívicos, pessoais e religiosos. É fazer com que a população pense menos nos seus direitos de ganhar, de ter, de culpar os governos. Ela precisa olhar para ela mesma no resgate de sua dignidade, da sua unidade, da sua célula base.
Folha - Em que região do mundo a família está mais ameaçada hoje?
Deisi - São várias ameaças. Nos países em guerra, a maior ameaça é a guerra. Nos países em que há fome, a maior ameaça é a fome. Nos países em que a criminalidade impera, a maior ameaça é a criminalidade. Nos países onde há muitos suicídios entre os jovens, essa é a maior ameaça à família. Os problemas locais ameaçam a família.
Folha - Qual é o maior problema da família brasileira?
Deisi - Tenho uma visão mundial da família e costumo dizer que o Brasil é muito privilegiado. Como posso falar de tantos problemas brasileiros se eu conheço os problemas de uma Ruanda e de um Congo (países africanos assolados pela fome e guerras internas), que não têm a menor comparação com a nossa miséria? O Brasil não tem falta de água, falta de energia, não tem um clima que exclua as pessoas durante seis meses do ano. Temos problemas regionais que parecem amplos quando a gente só vê aqui.

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