Na sala de espera da Delegacia da Mulher de Londrina, mulheres e crianças aguardam atendimento. Algumas trazem a tristeza nos olhos, outras apresentam braços e rosto com marcas de agressão. São histórias que fugiram do controle. O que essas mulheres têm em comum é a coragem, a determinação de fazer alguma coisa para mudar a rotina de maus tratos e viver uma vida sem violência.
Soraia (nome fictício) é mãe e avó. Há cinco anos a filha namora um rapaz e é agredida por ele. O filho do casal já presenciou diversos episódios violentos.
Soraia, que também foi espancada violentamente ao tentar defender a filha, foi à delegacia denunciar o namorado.
Os relatos de violência se repetem. De acordo com a delegada Elaine Aparecida Ribeiro, a maior dificuldade das mulheres é romper a relação com o agressor. ''Muitas dependem emocionalmente daquele que bate. Elas são apaixonadas e acreditam que vão conseguir fazê-los mudar de comportamento um dia'', disse. Ela afirmou que às vezes a Justiça determina que o agressor mantenha distância da vítima, mas as próprias mulheres permitem reaproximação ''e a violência acaba se repetindo''.
Soraia afirma que quer fazer acompanhamento psicológico porque fica com medo sempre que ouve o portão abrindo ou algum carro estacionando em frente de casa. ''Não pode deixar o medo tomar conta. Se existe a Lei Maria da Penha, temos que fazer valer. Minha filha nunca denunciou mas eu não me calo. Se não fizermos nada ele vai acabar nos matando. Já recebemos ameaças assim'', disse.
A Delegacia da Mulher registra pelo menos 20 ocorrências diariamente. ''A maioria das pessoas nos procura para denunciar violência doméstica e abuso sexual de crianças'', disse Elaine. No ano de 2010 foram registrados 3.087 Boletins de Ocorrência de violência contra a mulher.
A procura pela delegacia aumenta mês a mês, segundo a delegada. ''Isso significa que mais mulheres estão buscando ajuda. Este é o resultado da divulgação dos direitos da mulher e também da vinda da Vara Maria da Penha para Londrina.'' Para ela, o desafio está em mostrar às vítimas o quanto elas são vítimas. ''Precisamos fazê-las entender que só uma decisão individual pode tirá-las desta situação. Estamos aqui para ajudar.'' (M.A.)
Serviço - A Delegacia da Mulher fica na Rua Goiás, 287, fone (43) 3322-1633.

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