Não perdoaram nem o sacrário da igreja
Lerroville é o maior distrito de Londrina e também o mais distante: 60 km do centro. Tem 5.051 habitantes segundo o IBGE, população superior a de muitos municípios do Paraná. Mesmo assim, a impressão de quem chega ao lugar é de um certo esquecimento. Há muitos buracos nas ruas. O prédio que um dia funcionou como módulo policial e depois serviu de sede para os bombeiros voluntários que apareceram por lá agora é uma ''secretaria'' do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e serve para que alguns homens passem o dia sentados por ali.
O posto de saúde passa alguns dias sem médico por conta do período de férias. O Correio só funciona duas vezes por semana, pela manhã. Os moradores queixam-se também da falta de uma creche e até de serviços privados, como posto de gasolina e farmácia. Outra reclamação frequente é a falta de policiamento. ''Eles passam de vez em quando'', diz a comerciante Cássia Laineti Ferreira.
De fato, como em outros distritos, com exceção de Guaravera, não há policiamento fixo. A ronda é feita pelos policiais militares de Tamarana, que utilizam uma viatura da Polícia Civil - que serve ao sargento-gestor do município - para o serviço desde que o carro da PM bateu em uma moto em dezembro.
Em 2009, dos oito homicídios registrados na zona rural de Londrina, três ocorreram em Lerroville, dando ao distrito a média de 59 assassinatos para cada 100 mil habitantes. O índice aceito pela Organização das Nações Unidas é de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes.
Guairacá
No patrimônio Guairacá, nem a falta de pavimentação asfáltica no trecho que liga o Distrito de Paiquerê ao lugarejo de 429 habitantes gera mais reclamações do que a falta de policiamento.
A exemplo de Taquaruna, boa parte dos habitantes trabalha em Londrina e o patrimônio é monótomo. Mas as drogas chegaram até lá e os furtos também. Um casal de idosos chegou a ir embora sem deixar notícias depois de receber a visita de ladrões. Os larápios não perdoaram nem o sacrário da igreja católica, que agora vive trancada. Depois de arrancarem-o da parede e golpeá-lo a pauladas, abandonaram o sacrário, com hóstias dentro, em uma estrada rural. (W.S.)





