Não passei, e agora? Para muitos jovens, escorregar no vestibular pode ser o primeiro grande obstáculo de suas vidas. Medo, angústia, desilusão, indignação são sentimentos comuns a quem dedicou, muitas vezes exclusivamente, um ano ou mais aos estudos e passou pela decepção de não ter o nome na lista dos aprovados. Antes de abaixar a cabeça e se achar um derrotado, a orientação dos especialistas é viver esses sentimentos, deixar o coração acalmar, buscar uma rede de apoio e aprender com os próprios erros.
''Quando o candidato procura o seu nome na lista dos aprovados, leva a sua expectativa e a dos familiares, a dos amigos. Portanto, é importante encontrar no pai a força e na mãe o colo para dimensionar o fato, identificar as falhas e traçar as estratégias para atingir o objetivo'', orienta a psicóloga e supervisora pedagógica do Colégio Maxi, Celi Lovato.
Segundo a supervisora, a decisão sobre qual rumo tomar depois de um resultado negativo deve ser tomada após uma análise com a família e a escola. E para quem de fato almeja ingressar em uma faculdade de boa qualidade não há mistério: estudar. Analisar o boletim de desempenho para identificar os erros mais frequentes, realizar simulador e provas de concursos anteriores, buscar orientação para estudar e trabalhar a autoconfiança são algumas das recomendações na conquista de um resultado positivo.
Em contrapartida, tensão, ansiedade, medo, cobrança alheia e, principalmente, a autocobrança, são os maiores vilões na hora da prova. ''Às vezes o vestibulando se cobra tanto, que, de tão tenso, acaba se sabotando e não enxerga o óbvio, vindo a cometer erros básicos'', explica Celi.
Amadurecimento
Dois anos de cursinho, três tentativas frustradas de ingressar na faculdade, e, no meio do caminho, a troca do curso pleiteado. Somente depois que parou de se cobrar tanto é que Anna Carolina Gomes de Sousa, 24 anos, conseguiu ingressar em Pedagogia da UEL.
''Na primeira tentativa, quando prestei para História, fiz um ano de cursinho junto com o terceirão. Estava tão convicta de que passaria que quando soube do resultado resolvi ficar uns seis meses parada por conta da chateação e revolta'', conta. Graças à insistência dos amigos, Carolina voltou a estudar. Porém, novamente o resultado foi negativo. A acadêmica começou a trabalhar e por um ano chegou a desistir de prestar vestibular. Em 2006, decidiu retomar a rotina de estudos.
''No meu caso, o cursinho me deixava ainda mais ansiosa devido ao excesso de cobranças. Em 2007 resolvi estudar sozinha. Só quando parei de me preocupar com a cobrança alheia e não exigi tanto de mim é que conquistei a vaga. Estava mais preparada e amadurecida'', analisa a estudante.
Qualidade
Quem optar por uma faculdade particular, a recomendação é procurar uma instituição de bom nível, com curso reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) e sério processo seletivo. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação, divulga desde 2007 os Índices Gerais de Cursos das Instituições (IGC).
O IGC é um indicador de qualidade de instituições de educação superior que considera a qualidade dos cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado e doutorado). No site do Inep (www.inep.gov.br) o estudante pode pesquisar as diferentes formas de avaliação dos cursos superiores no país e estatísticas das faculdades.
O importante, alerta a supervisora pedagógica, é não escolher o caminho mais cômodo de um curso menos concorrido. ''Tivemos casos de pessoas que seis meses depois de iniciarem a faculdade retornam para o cursinho a fim de se preparar para o que realmente querem. A pessoa que desiste de seus sonhos corre o sério risco de se transformar em um profissional frustrado.''

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