A tal curiosidade da adolescência não poupou que Cláudio, hoje com 31 anos, experimentasse um cigarro de maconha, ainda aos 13 anos. De lá para cá, foram outros 13 anos como dependente químico. ''Usei de tudo, até chegar no crack.'' Consciente de que precisava mudar, procurou ajuda, que resultaram em seis internações desde 2004. ''Foram várias recaídas, mas em março deste ano saí de uma comunidade e estou sem usar nada'', comemora.
Para auxiliar na continuidade do tratamento, ele participa como uma espécie de ''faz tudo'' no projeto. ''Fico aqui o dia todo ajudando nas estampas, fazendo entregas e ensinando os meninos novos que chegam. Quero isso daqui para frente: pretendo me ocupar ajudando outros na mesma situação. Este compromisso me ajuda a não ter recaídas, pois não há tempo para ficar depressivo.''
Compromisso que também dá esperanças ao ex-dependente Rafael, 24 anos, que se prepara para começar a lecionar aulas de inglês no projeto, já que fez intercâmbio na Inglaterra. Apesar de ter uma realidade econômica diferente de grande parte do restante dos jovens, a droga não fez distinção. ''O vício não escolhe, mas acaba com todos da mesma forma'', conta, que desde os 16 anos, usou praticamente todos os tipos de drogas, incluindo os sintéticos.
Recém-saído de uma comunidade, ele acredita que dessa vez vai ser diferente. ''Já engordei quase 20 quilos nesse tempo. Estou muito animado e confiante para que as coisas mudem. Penso em voltar a estudar e ser comissário de bordo futuramente. Mas enquanto isso não acontece, vou me ocupar por aqui, onde estou feliz e me sentindo útil.'' (M.T.)

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