‘‘Londrina necessita urgentemente de uma delegacia de antitóxicos e uma de homicídios, com no mínimo mais quatro delegados, além de investigadores e escrivães. Só assim poderemos reduzir o índice de criminalidade’’. A opinião é de um delegado da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, que pediu para não ser identificado. Segundo ele, a maioria dos crimes acontecidos na cidade tem ligação com o tráfico de drogas, inclusive os homicídios – como, possivelmente, o registrado na noite de anteontem. ‘‘A maioria é execução, realizada por traficantes’’, apontou.
De acordo com o delegado, a polícia sabe que a maioria dos furtos e roubos tem vínculo com o tráfico. ‘‘Via de regra, são adolescentes usuários de drogas que invadem as residências para levar o que puder. Os traficantes recebem os produtos como pagamento da droga’’, disse. Segundo ele, a Polícia Civil trabalha como pode para combater o tráfico. ‘‘O problema é que a gente pega o usuário mas ele não delata o traficante’’, observou. ‘‘Mas é preciso uma equipe especializada para cuidar especificamente disso.’’
O delegado-chefe da Divisão Policial do Interior (DPI), Clóvis Galvão, explicou que já existem decretos criando as delegacias especializadas (antitóxico e homicídios), mas que não há estrutura para a instalação. ‘‘Londrina comporta e merece essas delegacias faz tempo, mas não adianta ter o prédio e computadores se não há material humano para suprir a necessidade.’’
‘‘Seria necessário que fossem feitos concursos sempre para que as vagas dos que deixam o trabalho pelos mais diversos motivos fossem preenchidas e para que houvesse um aumento no efetivo da polícia’’, observou Galvão. Segundo ele, é preciso trabalhar com o que se tem no momento. ‘‘É mais fácil criar setores dentro da própria Subdivisão para resolver esses casos.’’
A assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública do Paraná informou que não há previsão para a criação de delegacias antitóxico e homicídio este ano em Londrina. O delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, explicou que a criação de novas unidades tem que ser feita por Lei Estadual e é preciso fazer concurso para preencher as vagas. (Telma Elorza e Célia Polesel)

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