Não há nada comparável na medicina ao que vimos
Desde que começou a investigar o caso Guarapiranga, Encarnación Zapata procurou repetidamente o legista responsável pela necrópsia. Depois de muita insistência, ele decidiu falar e a autorizou a revelar parte destes depoimentos, com a única restrição de não divulgar seu nome.
Abaixo, alguns trechos de uma das entrevistas:
- Qual foi sua primeira impressão ao ver o cadáver?
á- Surpresa diante do observado. Ainda não havia observado um caso semelhante antes, e nem posteriormente. Chamei um amigo legista para saber sua opinião e ele também não havia visto nada semelhante.
- O homem poderia ter morrido por afogamento e seu corpo se decomposto pela ação de algas e microorganismos?
-Não havia elementos dentro da medicina legal para justificar essa possibilidade.
- Havia sangue no cadáver?
-Só uma pequena quantidade escorrendo pelos orifícios observados.
-Há registro de algo semelhante na medicina legal?
-Jamais conseguimos sequer a menção de um caso semelhante. Quando encontramos alguma coisa deste tipo procuramos saber se existem notícias de alguma coisa parecida. A vítima foi manipulada enquanto vivia. Seus órgãos foram como que aspirados de forma inexplicável pelas técnicas médicas e científicas hoje conhecidas. Além do mais, um dos pulmões se achava seccionado por um corte em bisel. Um corte perfeito. Para saber se um processo de aspiração causaria um tipo de corte como aquele, só entrando em um laboratório e tentando reproduzi-lo. Através de testes de laboratórios poderíamos desenvolver dados comparativos. Não há nada comparável, na história da medicina legal, àquilo que vimos ali.





