'Não há motivo para pânico'
O cônsul-geral adjunto do Brasil em Ciudad Del Este, Jairo Collier, admite que o clima entre campesinos e proprietários de terras brasileiros no Paraguai é tenso. Mas, em entrevista à FOLHA, ele ressalta que tudo deve ser resolvido no âmbito legal.
Como o consulado brasileiro vê a situação dos acampados em frente às
propriedades de brasileiros?
Está havendo falta de compreensão muito grande da opinião pública por má informação. Os governos dos dois países sabem muito bem o que está acontecendo, estão conduzindo a situação, os canais de diálogo estão abertos. Há leis no Paraguai que tratam da reforma agrária, assim como há no Brasil, e elas serão respeitadas. Também há terras de pessoas de outras nacionalidades - como chineses, suíços, alemães, franceses - sob ameaça. O problema é que, como os brasileiros são mais numerosos, ficam mais em evidência. Há seis departamentos, dos 17 do país, em que há problema geral de invasões de terras.
Então não há motivo para pânico?
Sei que as pessoas se assustam. É natural. Mas o que deve ser feito pela imprensa, como vocês da FOLHA fizeram, é vir até aqui, ver a realidade de perto. Nós conhecemos inúmeros brasileiros que são amigos de campesinos. Os líderes do movimento têm respeito pelos brasileiros.
Quantas propriedades de brasileiros estão invadidas ou ameaçadas?
Casos de problemas envolvendo terras de brasileiros dos quais temos conhecimento, somente na nossa jurisdição, são 20. Mas não existe ainda nem um levantamento do número total de brasileiros no país. (W.S.)





