Não existem metas definidas para ampliação do projeto Povo em Londrina, de acordo com a Polícia Militar (PM).
Questionado sobre o assunto, o major da reserva Sérgio Dalbem, que se aposentou ano passado no 5º BPM, fez a seguinte conta: com quatro policiais por equipe, seriam necessários 220 homens por cada turno de 6 horas para atender os 55 bairros da cidade. Acrescentando uma equipe para cobrir férias, seriam pelo menos 1,1 mil policiais militares somente para o Povo. O próprio major declarou, em recente congresso, que há hoje cerca de mil PMs para cobrir todos os setores de Londrina, Cambé, Ibiporã e Tamarana.
''Na teoria, você ter quatro policiais por bairro, é muito bom. Não seria um excesso, porque cada vez que prende um criminoso o policial tem que se deslocar para a delegacia e a área não pode ficar descoberta. Mas acho que não fizeram aula de matemática'', ironizou. ''Foi uma proposta política, feita sem estudar a realidade.''
Na avaliação de Dalbem, diante de um efetivo insuficiente, nem os bairros atendidos pelo Povo podem ter segurança plena. ''O governo planeja como se o bandido fosse uma estátua, que só age em determinado local. Claro que ele vai migrar, obrigando o policial a ir atender aquela ocorrência. É aquela história de cobrir um santo e descobrir o outro'', argumenta.
Para o ex-chefe de planejamento do 5º BPM, a alegação de restrições orçamentárias não pode jusfificar a falta de investimentos em segurança pública. ''Você tem que estabelecer prioridades, e a maior delas é a vida humana. Se eu tenho um setor em que as pessoas estão ficando paraplégicas, em que os professores não vão dar aula porque estão com medo, isso vai acarretar um custo muito maior.'' (V.N.)

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