Não existe emprego para todo mundo
Um dos grandes problemas em relação aos ambulantes é o comércio de mercadorias falsificadas, contrabandeadas, frutos de descaminho ou pirateadas. Ao andar pelo Centro é possível encontrar facilmente ambulantes que comercializam CDs e DVDs falsificados. Há também o comércio de bonés, camisetas, óculos, meias, entre outros produtos que imitam grifes famosas. "Esse tipo de mercadoria concorre com os produtos de empresas estabelecidas e que pagam aluguéis e impostos considerados altos, além de terem de arcar com o pagamento dos funcionários e contribuições previdenciárias", reclamou um lojista, que pediu para não ser identificado.
Alguns ambulantes garantem que querem se formalizar, mas encontram dificuldades. Uma vendedora de cachorro-quente, de 33 anos, disse que há três tenta renovar o alvará junto à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). "Meu pai trabalha no Centro há 22 anos e eu o ajudo há pelo menos dez anos", informou, dizendo desconhecer o motivo da negativa.
Já um jovem de 22 anos, que vende óculos de sol, garante que adquire as mercadorias com nota fiscal de empresas de São Paulo. Ele afirma que tentou obter um alvará, não conseguiu e passou a vender no comércio informal. Para ele é complicado fugir da fiscalização a todo o instante. "Tem que ser ligeiro, senão os fiscais pegam a gente", reclamou. "Estou sempre batalhando. As pessoas se esquecem que temos famílias para sustentar, aluguel para pagar. Não existe emprego para todo mundo." (V.O.)





