Você foi à cozinha buscar algo e, ao chegar lá, já não se lembrava mais o que era. Esqueceu o que ia dizer, e estava na ponta da língua. Ficou constrangido por não se lembrar do nome da pessoa que encontrou na rua. E, por fim precisou perguntar pela enésima vez ao filho (ou ao colega de trabalho) como era mesmo que se fazia determinada coisa no computador, sem compreender como não é capaz de aprender algo tão simples.
Se praticamente todo mundo passa por situações semelhantes, são poucos os que sabem como fazer para evitar que essas pequenas distrações diárias dificultem a vida e sejam motivo de estresse. Mas a solução é bastante simples: treinar a memória, fortalecendo-a através de exercícios de concentração e memorização. ''Evitaríamos muito estresse se desenvolvêssemos mais a memorização. E ainda retardaríamos o processo de senilidade'', sugere o professor Carlos Bacarin, que há cinco anos vem ministrando cursos de memorização com duração de doze semanas, em que os alunos aprendem três técnicas diferentes.
Uma das técnicas ensinadas por Bacarin é organizar as idéias para melhor lembrá-las. ''Ao pegar as coisas concretas e trabalhar com o ordenamento de idéias, por ordem de importância, e estabelecendo prioridades, fica muito mais fácil memorizar essas informações'', explica. Outra técnica é a assimilação, em que uma coisa remete à outra, e à outra. ''Para quem está prestando concursos públicos e tem uma grande quantidade de material para estudar, essas técnicas são fantásticas'', garante o professor.
Mas as técnicas servem não só para quem precisa memorizar muita informação de forma rápida, mas a profissionais de todas as áreas, que desejem melhorar a memória e retardar o envelhecimento. ''A pessoa que memoriza mais se sobressai por armazenar um número maior de informações. Assim, ela é vista como inteligente, mas na verdade é a sua capacidade de concentração que é maior'', compara, ressaltando que, embora alguns tenham mais facilidade, todo mundo é capaz de desenvolver sua capacidade de memorização.
E isso, segundo o professor, independe da idade. ''Criou-se o mito de que depois de uma certa idade a pessoa não consegue mais memorizar. Geralmente, os idosos vêem sua capacidade diminuída justamente porque não foram estimulados a exercitar e desenvolver a memória'', esclarece, lembrando que a ciência já comprovou que resolver palavras cruzadas, por exemplo, ajuda a prevenir o Alzheimer e ameniza a esclerose. ''Por quê? Porque coloca o cérebro em atividade. Já tive alunos com 14 anos com problemas sérios de memória, e já conheci pessoas com mais de 50 com uma memória ótima. É tudo uma questão de treino. A memória tem que ser treinada, exercitada dia a dia.''
O professor observa que, ao aprimorar a capacidade de concentração, os alunos melhoram em muitos aspectos. ''A pessoa se sente melhor, sua auto-estima melhora porque ela volta a se sentir útil'', avalia. Ele lembra, porém, que muitas vezes a preguiça acaba levando as pessoas a não estimular a memória. ''A agenda, por exemplo, eu chamo de o câncer da memória, porque, com ela, o cérebro acaba ficando preguiçoso. Você vai telefonar para a sua mãe e precisa recorrer à agenda do celular, e fica completamente perdido se esquece a agenda em casa'', exemplifica, esclarecendo que não é contra o uso da agenda, desde que a pessoa, ao anotar algo nela, se concentre para gravar o que escreveu.
Quanto mais estímulo, maior vai se tornando a capacidade da memória, e, por isso, Bacarin aponta que não é preciso ficar escolhendo as informações mais ou menos importantes, mas sim se concentrar. ''A base da memorização é a concentração. E concentração é muito mais questão de estímulo. Não preciso ficar recluso em um canto quieto para conseguir me concentrar'', expõe o professor, que afirma conseguir ouvir o rádio, a tevê e ler ao mesmo tempo. ''É questão de treino'', garante.

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