Não era o dinheiro a mais, mas medo de perder cliente
Curitiba - Quando a então estudante de enfermagem Denise Quandt foi conversar com uma garota de programa para o trabalho de conclusão de curso sobre adolescentes grávidas, não imaginou que ouviria um dos relatos mais impressionantes sobre a realidade da profissão.
Segundo Denise, a jovem apresentou um documento que informava ter 19 anos, mas sua aparência demonstrava menos idade. Em sua segunda gestação, em 2007, ela não tinha certeza se seus filhos eram de um namorado ou de algum cliente, já que, como relatou à pesquisadora, era comum transar com clientes sem uso de preservativo.
''Ela disse que metade dos clientes preferiam ter relação sexual sem camisinha e chegavam a oferecer R$ 20 a mais. O motivo de ela aceitar a situação não era o dinheiro a mais, mas o medo de perder o cliente'', explica Denise. A jovem demonstrava ter pouco estudo, mas afirmou não dar importância para a própria saúde. Ela não havia feito nenhum exame pré-natal.
O trabalho da estudante abordava a qualidade de vida das adolescentes grávidas. No caso da prostituta, ela dizia não sofrer com a profissão e até gostar da vida que levava.
Mas, ao perguntar sobre a primeira gestação, um ano antes, de um filho que depois foi entregue para a adoção, a jovem contou à Denise que teria entrado em trabalho de parto enquanto fazia um ''programa''. ''Foi chamado o serviço de emergência e a criança nasceu na ambulância do Siate, a caminho do hospital'', conta Denise. (D.R. e M.R.M.)





