‘Não entendo como ele morreu’
Da Redação

Marcos BorgesSargento Teófilo: ‘Usamos a força necessária para contê-lo’O sargento Levi Teófilo, suposto pivô do incidente que levou José Idalécio Bueno à morte, concedeu ontem entrevista à Folha, na qual ele nega ter agredido o vendedor. Teófilo e os outros cinco policiais militares e rodoviários foram afastados de suas funções pelo comando do 5º BPM e vão responder a inquérito militar.
Folha de Londrina - Como aconteceu a morte de José Idalécio Bueno?
Levi Teófilo - Eu sai de serviço e retornava para casa (em Ibiporã) quando vi na rodovia aquele Opala em ziguezague. Tentei ultrapassá-lo para pedir que parasse mas o motorista não deixava. Somente em determinado momento consegui ultrapassá-lo e no posto da Polícia Rodoviária eu mandei o motorista parar o veículo.
Folha - O senhor deu um tapa no rosto do motorista, quando ele parou o veículo?
Teófilo - Eu não dei tapa. Apenas pedi para ele descer do carro. Ele desceu e começou a dizer que tinha amigos políticos e que não devia nada para ser preso. Tentei ponderar, mas ele continuava agressivo. Senti que ele estava embriagado e eu disse que iria fazer o teste do bafômetro. Mas fui informado que o bafômetro da Polícia Rodoviária estava quebrado. Pedi então para uma viatura de Londrina vir para Ibiporã.
Folha - Naquele momento o senhor sabia que o motorista não era um marginal. Por que o senhor, na hipótese dele estar embriagado, apenas não apreendeu o veículo deixando ele ir embora para depois tomar as providências cabíveis?
Teófilo - A gente não conseguia manter um diálogo com ele. O motorista estava irredutível e mostrava-se agressivo.
Folha - Os senhores não ouviram a esposa e o filho do motorista pedir calma?
Teófilo - Não havia motivo dos familiares estarem apreensivos, pois não estávamos fazendo nada. Com muito custo nós colocamos ele na viatura. Eu queria levá-lo pra a delegacia para abrir um inquérito por direção perigosa.
Folha - Quando era levado para delegacia ele morreu?
Teófilo - Pois é. Quando chegamos na delegacia ele já estava mal, daí levamos ele para o hospital (Cristo Rei, em Ibiporã), onde ele chegou morto.
Folha - Vocês bateram nele?
Teófilo - Usamos a força necessária para contê-lo. Fomos obrigados a jogá-lo no chão para colocar as algemas nele. Sinceramente não consigo entender como ele morreu.
(Paulo Ubiratan)

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