'Não encaro molecagem como recado'
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quinta-feira, 08 de abril de 2010
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
O diretor do Centro de Detenção e Ressocialização de Londrina (CDRL), major Raul Vidal, disse não ter levado a sério a ação dos vândalos que incendiaram um ônibus ontem na Zona Sul. No local foi deixado um bilhete pedindo o fim da ''opressão carcerária''. Segundo ele, não houve nenhuma mudança de procedimentos na unidade que pudesse motivar qualquer tipo de ação de protesto.
''Não encaro esse ato de molecagem como recado, mas sim de vandalismo. Eles desenharam um revólver e um pé de maconha no papel e aí perderam qualquer tipo de credibilidade. Não temos opressão nenhuma aqui dentro e qualquer tipo de reclamação por parte de algum preso pode ser feita no Conselho de Direitos Humanos (CDH)'', disse.
O CDR foi inaugurado em julho de 2007 e desde então conta com a mesma diretoria. Ao todo, a capacidade da unidade é de 928 presos e abriga 943 detentos. ''Estamos com os presos mais perigosos aqui dentro. Temos normas e elas são rígidas, mas não vamos mudar. Todo preso tem que cumprir com seus deveres e também têm seus direitos atendidos'', enfatizou.
Medo
O incêndio ao ônibus agitou os moradores do Conjunto União da Vitória I, II, II, IV, V e VI (Zona Sul). A reportagem percorreu os seis conjuntos na tarde de ontem. A população estava com medo de se manifestar.
''Há grupos que assaltam os ônibus para levar o dinheiro porque passou a ser mais fácil depois que não tem mais cobrador à noite'', comentou uma moradora do União II que preferiu não se identificar.
Já no União IV, os moradores dizem que as pessoas evitam usar o serviço à noite. ''O problema é quando desce lá perto do Novo Perobal, sempre acontece alguma coisa e nunca tem polícia por aqui'', reclama um comerciante. Depois da via de acesso ao CDR, próximo de onde ocorreu o vandalismo, ainda havia restos do incêndio.


