Curitiba - O comandante-geral da Polícia Militar (PM) do Paraná, coronel Anselmo José de Oliveira, afirmou que a morte de Rafaeli Ramos Lima foi um caso isolado e não foi causado pelo despreparo dos policiais militares. ''O policial que atirou, por exemplo, tem 11 anos de serviço, participou do curso de formação e de outros cursos de manutenção'', disse.
Os dois policiais envolvidos no caso foram afastados e estão no 1º Batalhão da PM em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. ''Abrimos um inquérito e solicitamos o acompanhamento do Ministério Público, para que o caso seja averiguado da maneira mais transparente possível.''
Para o procurador de Justiça e coordenador estadual do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e Controle da Atividade Externa da Polícia (Gaeco), integrante do Ministério Público, Leonir Batisti, esta situação faz parte de um contexto em que a criminalidade cresce e os policiais estão cada vez mais estressados. ''É um misto de falta de preparo dos policiais e do aumento da criminalidade e da violência'', disse.
Já a secretária da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Isabel Mendes, considera a atuação da polícia muito truculenta e violenta, principalmente em relação aos presos. ''Eles chegam agredindo para depois saber do que se trata. A violência é muito grande'', afirmou.
A formação dos policiais militares tem duração aproximada de oito meses e envolve cursos de direito, técnicas policiais, direitos humanos, preparo físico e militar. Em uma abordagem, os policiais devem atirar apenas quando há risco para o policial, para um cidadão, ou ainda quando as pessoas que estão sendo perseguidas atiram contra eles. ''A operação em Porto Amazonas foi um erro de avaliação, pois com a batida no carro, o policial reagiu como se tivesse sido atingido'', explicou o coronel Anselmo de Oliveira. Para as pessoas que são abordadas pela polícia, a recomendação é obedecer a todas as ordens dadas pelos policiais e sempre parar nos bloqueios.
Balsa Nova
O Ministério Público acompanha também as investigações sobre a morte de João Mochinski, em Balsa Nova, que aconteceu em junho. Ele foi morto depois de não parar em um bloqueio da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), quando passava pela Estrada do Pessegueiro. A investigação está sendo finalizada, e de acordo com Batisti, aguarda a finalização da perícia e a reconstituições para o caso ser levado à justiça.

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