'Não desejo esse sofrimento a ninguém', diz paciente com dengue
Moradoras de Londrina reforçam a gravidade dos sintomas e falam sobre a difícil recuperação
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quarta-feira, 27 de março de 2019
Moradoras de Londrina reforçam a gravidade dos sintomas e falam sobre a difícil recuperação
Micaela Orikasa - Grupo Folha 

À espera de atendimento na UBS (Unidade Básica de Saúde) Itapoã (zona sul de Londrina) na manhã de terça-feira (26), Marli Dias Azevedo, 44, se sentia tão fraca que quase não conseguia ficar em pé. Ela também sentia a cabeça e diversas partes do corpo latejarem de dor. "Eu não imaginava que dengue era algo tão terrível. Estou desde sábado (23) passando mal, sem conseguir fazer nada. As pessoas não têm ideia e não estão se cuidando. Na minha rua, por exemplo, são várias pessoas doentes, inclusive crianças”, lamentou.

A poucos metros dali, dona Flauzina Maria de Jesus, 77, se recupera em casa. Ela também contraiu dengue, mas os sintomas, segundo ela, foram muito mais fortes. Ela ficou acamada por diversos dias, chegou a usar fraldas geriátricas e, ao lembrar do estado de saúde, chorou. “Não conseguia levantar da cama e urinava sem parar. A dor que eu sentia na cabeça e no corpo era terrível. Meu estômago também ficou ruim. Não desejo esse sofrimento a ninguém porque eu quase morri. Estou aqui em pé por Deus”, desabafou.
A idosa mora com o marido no jardim Campos Elíseos e teve dengue há três semanas. “Ainda estou muito fraca, com tontura e continuo sendo atendida no posto”, afirmou. Ela estava tomando cinco litros de soro e dois litros de água, diariamente.
Para os pacientes com dengue, o tratamento básico é a ingestão de muito líquido e uso de medicamentos para controle dos sintomas. “Ninguém deve se automedicar. Não são todos os remédios que podem ser tomados porque há risco de agravar o quadro, causar sangramento”, orientou a enfermeira Mariza Kato de Oliveira. Ela atua na UBS Itapoã, que segue com horário estendido (das 19h às 23h) para atendimento exclusivo de pacientes com suspeita ou confirmação da doença. O movimento seguia intenso ontem pela manhã.
Nem sempre iguais
Segundo Oliveira, muitos pacientes têm apresentado vermelhidão no corpo, que pode causar coceira, além de febre, dores na cabeça e no corpo. “Outros também têm náusea, dores no fundo dos olhos e fraqueza”.
Mas os sintomas nem sempre são iguais, como explica a diretora de Vigilância em Saúde da SMS (Secretaria Municipal de Saúde), Sônia Fernandes. “Existe uma variável muito grande. Normalmente, para cada 10 pacientes que têm diagnóstico de dengue, outras 10 pessoas também tiveram, mas não há esses registros, pois os sintomas foram leves a ponto de não procurarem atendimento no serviço de saúde”, afirmou.
Fernandes ressalta que a maioria da população “pensa que a dengue é uma coisa leve e, por isso, muitos acabam não tendo o cuidado necessário”.
Números em alta
A cada semana, a SMS atualiza os números da doença em Londrina. No último boletim, no dia 21 de março, mais 90 casos foram confirmados, totalizando 448 desde janeiro. No mesmo relatório, 11 pessoas estavam internadas em hospitais com suspeita de dengue, sendo quatro delas crianças. "O número de internações muda a cada semana, mas a média tem sido em torno de 10 pacientes a cada levantamento”, pontuou Fernandes, confirmando também duas mortes por dengue na cidade desde o início do ano.
A primeira vítima foi um homem de 60 anos, morador da zona sul, e o segundo, um idoso de 89 anos, morador da região oeste. Ambos faleceram no início de março. O MS (Ministério da Saúde) emitiu um relatório nesta semana, apontando um crescimento de 67% no número de óbitos pela doença em relação ao mesmo período de 2018.
Os registros passaram de 37 para 62 mortes. O maior número se concentra no estado de São Paulo. No Paraná, o MS revelou um aumento de 1.424% comparado ao mesmo período do ano passado. Até o dia 16 de março foram notificados 6.084 casos da doença, enquanto que em 2018 esse número foi de 399.



