''Não consigo ficar sem a zuca''
Em um dos semáforos mais movimentados da cidade, um adolescente de 15 anos passa o dia circulando de carro em carro pedindo uma moedinha. Quando o sinal fica vermelho, ele topa conversar com a reportagem da FOLHA.
Com calma, ele se senta no canteiro e começa a contar sua história. ''Vim de uma favela de São Paulo (SP) fugindo de uma 'treta' de droga. Iam me matar, fui para a rodoviária, entrei de mansinho em um ônibus, desci em uma cidade que nem sei qual é, subi em outro e vim parar aqui. Nem sabia que existia Londrina''.
A ''treta'' a que ele se refere é uma dívida com o traficante que controla a distribuição de drogas na favela em que o adolescente morava. Trabalhando como ''aviãozinho'', ou seja, entregando porções de maconha, cocaína e crack para os clientes do tráfico, ele acabou se tornando também um consumidor e viciado em crack. Em vez de entregar o produto, consumia. Deixava de ganhar e ainda ficava devendo. ''Não me mataram por pouco'', disse.
Por aqui, seu esforço no semáforo é para juntar o dinheiro para comprar a droga. ''Não consigo ficar sem a zuca, se não arrumo o dinheiro pedindo, pego alguma coisa de quem vacila''.
Informado pela reportagem sobre a possibilidade de receber tratamento para abandonar as drogas e sair da rua, ele responde com convicção. ''Não quero parar de usar drogas e também não quero ir para abrigo nenhum''.(W.S.)





