Depois da festa da aprovação no vestibular e da correria para a matrícula, é hora de começar o ano letivo para valer. Nas próximas semanas, as instituições de ensino superior começam suas atividades, mas, antes de qualquer aula, muitos jovens estão sedentos pelos tradicionais trotes. Mesmo sendo proibido em grande parte das universidades, há quem ainda pratique o ato e submeta os calouros a uma série de brincadeiras que, na maioria das vezes, tem tom de violência e humilhação.
Mas, ao mesmo tempo em que essas ''brincadeiras'' continuam acontecendo, cresce cada vez mais o número de trotes sociais, solidários e culturais. Pensando em conscientizar os universitários sobre a importância em promover a real integração entre os alunos e estimular o desenvolvimento de atividades sociais no início das aulas, a Fundação Educar DPaschoal promove o ''Trote da Cidadania''. O projeto, que completa dez anos em 2009, tem o objetivo de abolir o trote violento para trabalhar conceitos que despertem valores como solidariedade, preservação do meio ambiente, trabalho em equipe, cultura e educação.
''Ao longo desses anos, mais de 400 instituições de todo o País já participaram do trote cidadão. Queremos que os alunos sejam multiplicadores dessa ideia como empreendedores sociais, agentes transformadores. Além disso, ao desenvolvermos esse projeto, esperamos dar nossa contribuição à sociedade, no processo da melhoria da educação e, principalmente, pela cidadania'', explica a coordenadora do projeto, Cibele Salvaterra.
Qualquer instituição de ensino superior pode participar da campanha e ainda ganhar prêmios com a iniciativa. ''Até o dia 1º de abril, os grupos podem inscrever os projetos pelo site www.trotedacidadania.org.br e concorrer aos prêmios. No próprio site há mais informações e ideias de como montar um projeto de trote cidadão. Não precisa ser nada inédito; pode ser uma ação que já é desenvolvida pelos alunos, por exemplo'', lembrou. Até hoje, apenas duas instituições paranaenses participaram do concurso.
O prêmio para o 1º lugar - o grupo com 5 universitários e um professor - será uma viagem de turismo consciente; o 2º lugar ganhará um laptop e o 3º uma filmadora. Os 25 melhores projetos inscritos participarão ainda de um workshop para debater a importância dos trotes cidadãos. ''Mais do que a premiação, queremos que os universitários tenham consciência de que suas atitudes podem ser benéficas para ele e para sua comunidade. Todos vão sair ganhando'', enfatizou a coordenadora.
A novidade da campanha deste ano é o ''Termo de Compromisso'' com as universidades. ''As ações acabam ficando restritas aos cursos e seus professores. Nosso objetivo é que os reitores e dirigentes das instituições abracem e deem apoio a essa causa contra brincadeiras violentas e divulguem como alternativa o Trote da Cidadania. Para tanto, receberão um selo comprovando o envolvimento, que poderá ser usado nos materiais de divulgação da universidade.''

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