Não às bolachas e salgadinhos
Principal estratégia contra a mortalidade infantil, o aleitamento materno garante imunização e uma alimentação rica em ferro ao bebê, além de ser gratuita. Mas a mãe precisa de um contexto favorável para amamentar, analisa a enfermeira Sarah Nancy Deggau Hegeto de Souza, coordenadora da pesquisa de práticas alimentares em Londrina. Para ela, aumentar a licença maternidade deve ser a briga da sociedade: É um investimento a longo prazo, garante.
Conforme ela, o perfil das mães que amamentam seus bebês de forma exclusiva até os seis meses é de mulheres com 35 anos ou mais, grau elevado de escolaridade, que têm mais de um filho e gozam de licença maternidade. Este dado nos mostra que é preciso investir nas mães jovens, do primeiro filho, e com baixa escolaridade, comenta a enfermeira.
Sarah lembra que não existe leite fraco, mas sim uma série de dificuldades que levam a mãe a achar que seu leite é fraco. Na pesquisa, ela detectou a inserção de alimentos adoçados, como bolachas e refrigerantes, e café na nutrição dos bebês até um ano, que vai contra as indicações médicas para a idade. Em 51% dos casos as crianças ainda recebiam o leite materno com outros alimentos, o que é um dado positivo, já que o único alimento lácteo recomendado é o materno, comenta Sarah.
Chá não tem indicação nutritiva e antes dos seis meses interfere no aleitamento. Já as papas salgadas devem conter sempre uma fonte de ferro, de amido e de fibras, ensina a enfermeira, reforçando que quanto mais os pais postergarem o uso de bolachas e salgadinhos melhor para a criança. Também é uma questão cultural e de falta de informação.(M.G.)





