Não admitia favores com dinheiro público
Nascido em Quixadá, filho único do acreano Laurênio Cabral e da cearense Angelina Marinho Góis, Hugo Cabral (1889-1962) era adolescente quando os pais, de mudança para Xapuri (Acre), quiseram lhe garantir o estudo e consentiram na viagem à Suíça em companhia de parentes. Formou-se em agronomia, segundo Alberto Zortéa. Já fluente em inglês e francês, Hugo Cabral tinha a ''cabeça aberta'' aos negócios e, de volta ao Brasil, cursou a Academia de Comércio no Rio de Janeiro e se associou a norte-americanos numa operadora de câmbio e corretora de fundos públicos. Casou-se com Alexandrina Frank, de São Paulo.
Segundo Hugo Cabral Filho, em 1934 ou 35 o pai deixou a família no Rio de Janeiro e chegou a Londrina: ''Quando eu nasci, em 1937, ele estava em Barretos comprando boi para a fazenda, já havia formado pastaria.'' Este detalhe contraria a menção de que Cabral veio em 1940.
Hugo Cabral comprou 500 alqueires na gleba Fazenda Três Bocas, que não pertencia à Companhia de Terras Norte do Paraná e que só em 1938 seria incorporada ao município de Londrina, desmembrada de Tibagi. Ali formou a ''Fazenda São José do Remansinho''.
O jornalista Humberto Puiggari Coutinho legou uma definição de Hugo Cabral: ''Um tanto rude no trato e mesmo teimoso em suas deliberações, gosta de fazer favores pessoais, sempre de coração aberto aos necessitados'', sem usar o dinheiro público. ''Como prefeito, negava peremptoriamente concessões de favores (...) mesmo insignificantes.'' Mas ''o que não fazia como prefeito, executava disfarçadamente do próprio bolso'', por ser homem ''de fartos recursos pecuniários, agricultor e pecuarista, intransigente em política, honesto, leal e dono de uma personalidade inspiradora de justa confiança.''(W.S.)





