Não adianta enjaular os filhos dos pobres
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Crianças e adolescentes são mais vítimas que autores de atos de violência. A opinião é do presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de Londrina, o advogado Alvino Aparecido Filho. Para ele, a organização da comunidade é imprescindível para reduzir os números da criminalidade na cidade. ''Não adianta enjaular os filhos dos pobres. Os jovens precisam ter seus direitos básicos respeitados'', salienta.
E uma das formas de prevenir e combater a violência é, para Aparecido, organizar a sociedade civil para encontrar alternativas e cobrar responsabilidades das várias esferas do poder público. Na visão do presidente, o Conseg deve incentivar a interação entre Estado, polícias e comunidade. Iniciativas como o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), a Patrulha Escolar e a Polícia Comunitária são apontadas como exemplos bem sucedidos.
O trabalho é dividido em cinco etapas: prevenção, ocorrência do crime, processo, cumprimento de pena e abertura de pena e ressocialização. Na prática, os conselheiros de segurança cobram efetivo e equipamentos para as polícias e para o Poder Judiciário, entre outras demandas.
Apesar da participação das polícias, Aparecido faz questão de ressaltar que um dos requisitos para o bom funcionamento da entidade é a independência. ''Até porque temos a função de cobrar as autoridades'', explica.
Uma das maiores preocupações do Conseg é a disseminação e o poderio do tráfico de drogas em Londrina. Para alertar os jovens sobre o risco do uso de substâncias entorpecentes lícitas e ilícitas, os membros da entidade fazer periodicamente palestras em escolas de diversos bairros. ''O adolescente quer discutir a questão das drogas. Discussão que às vezes os próprios pais renegam'', constata.
Para Aparecido, um dos grandes causadores da violência é a desigualdade sócio-econômica. ''A violência é a filha madrasta da exclusão social'', diz Aparecido. ''É preciso criar condições de dar oportunidades iguais aos jovens'', acrescenta.
Para atingir a redução das estatísticas de criminalidade, Alvino Aparecido Filho destaca duas ações que considera imprescindíveis: construção do Centro de Detenção Provisória e do Anexo do Fórum.
Segundo ele, o combate à criminalidade é uma dupla responsabilidade, do poder público e da comunidade. ''A contrapartida dos governos, no entanto, só vem com a cobrança da sociedade, com a mobilização comunitária'', salienta.
''Temos que fazer um trabalho de base para evitar que os jovens sejam cooptados pela criminalidade. Temos de assumir o ônus da responsabilidade. A sociedade não pode mais aceitar tanto crime. É necessário trabalhar para reduzir os números da violência em Londrina. Mas precisamos ser otimistas. É possível, com mobilização, obter bons resultados'', conclui.


