Namorado depõe e diz que professora é inocente
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quarta-feira, 26 de novembro de 1997
Luciane Tonon Cornélio Procópio 
A Juíza Ângela Biazus, de Cornélio Procópio, vai pedir ao ministério público que reavalie o pedido de relaxamento de prisão da professora Vera Lúcia Vaz, 36 anos, presa no dia 2 de novembro quando a polícia encontrou 10 gramas de cocaína (distribuídas em papelote) na residência dela. O pedido foi indeferido.
Ontem, o namorado da professora, Gilberto Marques de Souza, conhecido por Beto Júnior, prestou depoimento à Justiça e disse que Vera Lúcia é inocente.
Ela não merece estar presa e pagar por um erro meu. A droga era minha, para consumo próprio, e Vera sequer sabia de qualquer coisa, afirmou Beto Júnior.
Ele disse que não sabia que a professora ficaria presa. Se soubesse disso, teria me apresentado no ato do flagrante. De forma alguma quero que ela fique prejudicada, acrescentou.
Beto Júnior confirmou ainda que nunca teve envolvimento com o tráfico de drogas e é consumidor há pouco tempo.
Minha família também ficou indignada com esta situação. Deixei todo mundo em desespero, disse.
Beto Júnior se livrou do flagrante e só se apresentou para a polícia no dia 18. Ele cumpriu prisão provisória de cinco dias e foi liberado.
Segundo o advogado dele, João Santos Gomes Filho, Beto Júnior demorou para se apresentar porque fez questão de ser defendido por ele. Eu não pude atendê-lo de imediato e ele fez questão de me aguardar, disse Gomes Filho.
O advogado acredita que a Justiça vai considerar a professora inocente e libertá-la nos próximos dias.
Perante o depoimento de Beto, existe jurisdição de prova suficiente para os autos serem conclusos e principalmente para reavaliação da continuidade de prisão de Vera.
O advogado acrescentou ainda que Vera tem uma filha para tratar e emprego fixo. Não é mister que é uma pessoa digna e que está sendo prejudicada enquanto permanece na cadeia.
Habeas corpus O advogado da professora, Sérgio Aparecido Vicentim, reiterou ontem o pedido de liberdade de sua cliente junto ao Ministério Público.
Caso o pedido não seja atendido, o advogado deverá pedir habeas corpus direto ao Tribunal de Justiça.
Estávamos esperando a confirmação do depoimento de Beto e realmente ele confessou judicialmente, inocentando minha cliente, disse Vicentim.


