Nagashi soumen, o macarrão que refresca
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domingo, 09 de setembro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A 5ª edição do festival japonês Londrina Matsuri, que terminou ontem na Praça Nishinomiya, no Aeroporto (Zona Leste), trouxe a Londrina uma tradição milenar dos monges budistas. Em estande montado ao lado do palco, os visitantes puderam conhecer o 'nagashi soumen', um tipo de macarrão que depois de cozido é mantido sob pedras de gelo e servido em canaletas feitas de bambu cortado ao meio, onde desliza com a água. Para degustá-lo é preciso recolhê-lo com o hashi (os conhecidos palitinhos de madeira) e colocá-lo em molho feito de shoyu e algas. A novidade agradou quem experimentou.
''Muito bom!'', exclamou a auxiliar de gráfica Aracy Silva Ferreira, logo após experimentar a novidade. ''Nunca tinha ouvido falar deste macarrão, mas gosto muito de comida japonesa'', comentou. A zeladora aposentada Maria José da Cruz também aprovou a forma inusitada de saborear o macarrão. ''Não conhecia. Vi na tevê estes dias e vim experimentar. Gostei muito, acho que dá até para fazer com outros tipos de macarrão também'', sugeriu.
Também entre as crianças os fios de massa que correm pela água foram aprovados. ''Gosto de comida japonesa'', disse Agatha Silva Lemes, de 9 anos. A garota disse não ter tido dificuldade para equilibrar o macarrão com o hashi.
Preparado pelos monges - Segundo uma das coordenadoras da barraca (que oferecia a degustação uma vez por dia, gratuitamente), Lídia Kanashiro, o nagashi soumen era preparado pelos monges como forma de se refrescar durante o verão, servindo-o nas águas puras das montanhas. ''O macarrão é apenas para ser degustado, não para matar a fome. É uma forma de entrar em comunhão com a natureza'', explicou. Segundo Lídia, a prática tornou-se popular no Japão, e hoje em dia a massa fininha (que lembra o espaguete) é servida nos restaurantes e muito degustada em acampamentos e nos passeios pelas montanhas japonesas. ''É uma forma divertida e refrescante de saborear o macarrão.''
Nos três dias em que o soumen foi servido no festival foram consumidos cerca de 22 quilos da massa - só ontem foram 10,5 quilos. A degustação aconteceu somente no horário das 11 horas ao meio-dia. Um banner na entrada do estande explicava aos visitantes o objetivo do antigo costume oriental: ''O soumen deve ser apreciado aos poucos, com tranquilidade espiritual, em comunhão com a natureza, como se fosse uma prece''. Durante o Londrina Matsuri o delicado macarrão também serviu para integrar os diferentes povos que foram conhecer um pouquinho da rica cultura japonesa.


