Nadador surdo tem carreira de vitórias
Lucilia Okamura

Dorico da Silva
PódioO londrinense Alexsandro José Carvalho, 27 anos: deficiente auditivo acumula 920 medalhas e troféusAos 27 anos, o londrinense Alexsandro José Carvalho Grade divide seu tempo entre estudos, treinos de natação e o trabalho. Ele nada desde os oito anos, participou de várias competições nacionais e internacionais (para ouvintes e surdos) e acumula cerca de 920 medalhas e troféus. Alexsandro nasceu surdo mas não encara isso como uma barreira, tanto que já morou sozinho na Itália e viajou para mais de 15 países, quase sempre sem acompanhante.
Na última competição de que participou, o Campeonato Mundial Inter-Silenciosos, em abril, na Itália, Alexsandro Grade ganhou cinco medalhas de ouro. Graças a esses resultados, o Brasil terminou a competição em 6º lugar - ele foi o único representante sul-americano no torneio. A competição reuniu 150 atletas de 12 países.
Alexsandro Grade participa também de competições ‘‘comuns’’, isto é, para ouvintes. Em 1996, ele esteve na Inglaterra, participando do Campeonato Mundial Masters de Natação, e conseguiu o 5º lugar na prova dos 200 metros nado livre.
Alexsandro Grade diz sentir orgulho por ser o único atleta do Brasil a participar de competições internacionais para não ouvintes, principalmente por poder mostrar que uma pessoa surda é capaz de conseguir bons resultados. Mas ele lamenta o fato de outros surdos não terem oportunidade e apoio que ele sempre teve.
O atleta lembra que sempre contou com a paciência e boa vontade dos técnicos. ‘‘Eles tiveram a sensibilidade de entender as dificuldades do Alexsandro’’, diz a mãe do atleta, Aparecida de Lurdes Favoretto Grade. ‘‘O apoio da família, parentes e amigos também é importante’’, acrescenta.
Além das dificuldades normais que todo atleta enfrenta para conseguir patrocínio, principalmente para competições internacionais, Alexsandro Grade afirma não ter nenhuma outra barreira por ser surdo. Acostumado a viajar sozinho para o exterior, ele diz que consegue se adaptar rapidamente a outros países - já visitou mais de 15 e, em 1989, morou na Itália por nove meses. Ele ressalta que a estrutura e organização nos outros países facilitam a vida dos deficientes em geral.
Os problemas, afirma o atleta, ocorrem mais no Brasil. Ele conta que antes de sua viagem à Itália teve problemas para se locomover dentro de São Paulo, justamente pela falta de preparo e conscientização social. Ele conta que seus amigos estrangeiros, também surdos, percebem essas dificuldades quando vêm ao Brasil.
Alexsandro Grade treina natação todas as manhãs no Londrina Country Club. Ele ressalta que, além de benefícios à saude, a natação deu oportunidades para conhecer várias pessoas e viajar. À tarde, trabalha, junto com a irmã, em uma lotérica. ‘‘Ele trabalha desde os 19 anos’’, observa a mãe.
À noite, Alexsandro Grade frequenta o 2º ano de Educação Física, na Universidade do Norte do Paraná (Unopar). Ele acredita que consegue um aproveitamento de cerca de 70% das aulas, lendo os lábios dos professores. Após terminar o curso, ele pretende trabalhar com ensino para surdos.

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