Algumas cervejas na cabeça e um pé fundo no acelerador. Um carro passando pelo sinal vermelho encontra outro no meio da pista. Um choque, duas mortes e uma vida destruída. ‘‘Eu não queria ter ficado. Preferia ter morrido com eles’’, diz, aos prantos, a ex-comerciante Berenice Carvalho Galli, 30 anos. Ela não lembra do acidente que matou o marido, o economista Luiz Felipe Galli, 33 anos, e o filho, Luciano Vitor Galli, 4 anos, mas não se conforme por estar solto o jovem Wladimir Poli, acusado de causar o acidente. ‘‘Ele está solto como se nada tivesse acontecido’’.
Paralisada por pelo menos seis meses, em virtude das sequelas do acidente ocorrido em 16 de maio deste ano, Berenice foi obrigada a vender o comércio que sustentava a família e vive hoje com a ajuda dos familiares e amigos. Chorando copiosamente, sobre as fotos do filho e do marido, Berenice diz que as mortes tiraram tudo o que ela tinha na vida. ‘‘Ele (Poli) tirou meu chão, minha vida’’, afirma ela. ‘‘Hoje eu sou uma pessoa que não tem nada. Minhas principais referências foram embora.’’
Para suportar a dor, Berenice faz acompanhamento psicológico e fisioterapia para recuperar os movimentos, depois da cirurgia feita na coxa esquerda. Sentido-se impotente, ela acredita que existem meios para localizar o chacareiro, que tem prisão preventiva decretada, mas está foragido. ‘‘Há meios de saber onde ele está, mas se não é feito eu não sei por que’’.
Sem conseguir definir o que sente em relação a Poli, Berenice afirma que espera a pena máxima como punição. ‘‘Nada paga o preço do que eu perdi. O fato dele (Poli) ficar recluso vai servir de exemplo e para que ele não possa cometer o mesmo erro de novo’’.(J.A.)

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