O consultório do médico Fauzi Farah, em Curitiba, permaneceu aberto durante a manhã de ontem. Um pouco abatido, ele disse à Folha que não cometeu qualquer irregularidade e negou que participe de uma quadrilha organizada de tráfico de crianças. ‘‘Acho que nada do que eu fiz prejudicou qualquer pessoa’’, alegou o médico.
Farah foi aconselhado pelos seus dois advogados a não dar entrevistas, mas conversou com a reportagem da Folha por quase duas horas. Ele contou que procurou a Polícia Federal de Florianópolis ainda na semana passada, mas só foi ouvido na segunda-feira. Ele confirmou que recebeu, em Curitiba, duas mulheres grávidas e que foram hospedadas na casa da enfermeira Eva Szynczak, atualmente aposentada. ‘‘Eva não é minha funcionária, como divulgaram, e acolheu as gestantes por um ato de caridade’’, afirmou ele.
O médico não negou que tenha encaminhado dois bebês para pais adotivos, mas afirmou que nunca recebeu qualquer centavo por isto. ‘‘Tudo o que eu fiz foi ajudar as mães que não queriam seus próprios filhos’’, disse Farah. Em 1994, o médico foi indiciado em inquérito por motivos semelhantes e teve o processo arquivado, segundo a Polícia Federal, por falta de provas.
Farah trabalhou durante 27 anos e 4 meses em Porto União, interior de Santa Catarina. Ele foi chefe do Centro de Saúde de União da Vitória. Farah tem 69 anos e é aposentado pelo Estado. Em sua bagagem como médico, ele comemora o fato de ter realizado mais de 20 mil cirurgias. Em Porto União, ele atendia uma média de 100 consultas por dia. ‘‘Sempre ajudei quem precisava e não irei parar de ajudar agora’’, afirmou. Farah tem cinco filhos, um deles adotado quando tinha apenas um ano. ‘‘Acho que a adoção desta criança foi a grande dádiva da minha vida’’, disse ele.
O clínico-geral acredita que, em breve, será absolvido do processo. ‘‘Logo verão que não tenho nada a ver com esta história e poderei voltar a viver tranquilamente, em Curitiba’’, previu. A mulher de Farah, Nancy, também indiciada em inquérito, não esteve no consultório ontem pela manhã. De acordo com o médico, ela está bastante abalada com o inquérito policial e não estava preparada emocionalmente para falar sobre o assunto.(L.P.)

mockup