De repente, o paciente chega no consultório médico com o diagnóstico e o ''tratamento'' para o seu problema. Parece algo estranho para você? Se a sua resposta foi sim, saiba que isso é muito mais comum do que imaginamos, inclusive nos consultórios de cirurgiões plásticos. Por isso a importância de médico e paciente definirem juntos a real necessidade da correção.
''Para os leigos na área pode parecer muito simples avaliar a necessidade da correção e apontar o melhor tratamento, porque a gente trabalha com algo superficial, que está exposto. No entanto, a questão não é tão simples assim'', afirma o cirurgião plástico Walter Zamarian, de Londrina. ''Algumas pessoas têm uma visão um tanto quanto distorcida de seu corpo e é nesse momento que o médico deve fazer uma análise não só física, mas também psicólogica, filtrando o que realmente precisa ser modificado ou não'', esclarece.
Segundo Zamarian, esse precaução por parte dos cirurgiões plásticos é necessária para limitar os modismos que têm crescido na sociedade e que podem representar um grande risco para a saúde, como é o caso da retirada de costela, que tem sido muito comentada após pessoas famosas relatarem que se submeteram a esse tipo de intervenção. O objetivo seria ter a cintura fina.
''Eu não realizo e não indico que ninguém realize. Esse tipo de cirurgia não é reconhecido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, porque não é seguro'', afirma o especialista. ''Uma cirurgia como essa pode trazer várias implicações, como o aparecimento de extensas cicatrizes, o abaloamento dos músculos que estavam inseridos na costela, além da posibilidade de uma lesão em um dos nervos que se encontram rentes à costela, causando uma intensa dor por toda a vida ou até perfurando o pulmão'', acrescenta.
Esclarecimentos
De acordo com Zamarian, o primeiro passo para quem tem interesse em realizar uma cirurgia plástica é fazer uma boa pesquisa sobre o profissional com o qual deseja se consultar. ''A pessoa pode pesquisar no próprio site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Lá, o paciente vai encontrar uma listagem de todos os membros reconhecidos. Além disso, sempre existe a possibilidade dela pesquisar em sites sobre a equipe com que ele trabalha e o hospital onde realiza as cirurgias'', informa.
Escolhido o cirurgião plástico, o especialista recomenda que o paciente esclareça muito bem ao médico o que o incomoda e dentro disso definam juntos qual a técnica que responde melhor aos seus anseios. ''Existem várias e para cada paciente há uma que se enquadra melhor'', completa.
Zamarian salienta que neste momento é fundamental o especialista avaliar bem a região que necessitará de correção. E também chamar a atenção do paciente sobre determinadas características de seu corpo, que talvez ele nunca tenha percebido, mas que depois da cirurgia acabará se incomodando. ''É o caso de mulheres que tem uma das mamas maior ou mais caída e que após a colocação da prótese percebe e se sente incomodada'', afirma.
O médico esclarece ainda que mesmo que a região incomode muito o paciente, a cirurgia não pode ser feita, porque ela deixaria o rosto ou o restante do corpo desproporcional. ''Não é fácil dizer isso ao paciente, mas precisamos ter a responsabilidade de deixar isso bem claro, trazer o paciente à realidade. Muitas vezes, podemos melhorar muito, mas não chegar à perfeição que ele gostaria. O limite para cirurgia plástica deve ser colocado antes da busca por perfeição.''

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