Marcos BorgesFeraDepois da ocorrência de vários furtos, a empresa Bratac resolveu reforçar a segurança. Para auxiliar o trabalho dos vigias, foram comprados três cachorros fila, que ficam presos no canil durante o dia e à noite cuidam de uma área de oito alqueires. Os cães, garante a direção da empresa, são treinados e perigosos.Dos quintais das casas e chácaras para indústrias e empresas. Os cães de guarda estão sendo, cada vez mais, incorporados ao aparato de segurança para conter a ação dos ladrões. E passam a integrar o conjunto formado por alarmes, grades, muros altos e vigias. Nem mesmo as notícias de ataques contra donos e adestradores reduzem a procura por ‘‘cães assassinos’’. Ao contrário: ‘‘O consumidor adora cão violento’’, afirma o presidente do Kennel Club de Londrina, Rodolfo Preto Junior. A associação, que reúne criadores do Norte do Estado, fez o registro, somente este mês, de 300 filhotes, a maioria cães de guarda. O total de registros dobrou em relação aos meses anteriores. Só da raça rottweiler foram catalogados 95 novos animais.
O presidente do Kennel Club, Rodolfo Preto Junior, acredita que a procura por cães de guarda é motivada pelo custo baixo em relação aos benefícios da segurança. ‘‘Não necessita de registro no Ministério do Trabalho’’, diz, comparando o custo de um animal aos gastos com a contratação de um vigia. O aumento na comercialização de cães de guarda, diz ele, é constatado por associações de criadores de todo o Brasil.
Sobre os reflexos dos ataques de cães de guarda, ele revela que os criadores são mais requisitados quando a imprensa divulga os casos. No episódio ocorrido em Maringá, onde um adestrador foi atacado por um casal de mastim napolitano e teve a perna amputada, cita Rodolfo Junior, os criadores verificaram a difusão da raça.
Para quem não tem qualquer afinidade com animais de grande porte, uma boa notícia: em breve Londrina deverá receber a visita de uma adestradora que esteve na França fazendo um curso voltado a animais de menor porte. Na França, a segurança dos joalheiros que fazem as vendas nas casas é garantida por cães da raça Bull Terrier, que não ultrapassam 40 centrímetros de altura mas têm mordidas de grande impacto.
Como Londrina ainda não conta com empresas que, a exemplo do que ocorre em São Paulo, se encarregam de montar a vigilância em casas e empresas, levando para os locais os cães adestrados, a saída tem sido recorrer aos criadores e adestradores. A veterinária Emília Matie Nishi, proprietária da Zooclínica e Zooshop, diz que as vendas de cães de guarda são constantes. Apesar de trabalhar mais com animais de companhia, ela diz que cães de guarda têm venda garantida. Para quem compra um animal com essa finalidade ela orienta: antes de serem preparados para o ataque precisam receber treinamento de obediência para não agredirem seus donos. Além disso, os cães não podem ficar presos o tempo todo pois acabam neuróticos. ‘‘Tudo vai depender de como o animal é, do temperamento dele, e de como é educado e tratado.’’
Sabendo da necessidade de preparar os animais para a função, o gerente João Batista Tabanêz, do Supermercados Pedro Muffato & Cia, o Muffatão, na avenida J.K., área central, diz que os dois rottweilers, comprados por R$ 1.200,00, quando tinham dois meses de idade, só vão entrar em ação dentro de 120 dias, quando completam um ano. Por enquanto, só recebem instruções no pátio.
Tabanêz informa ainda que os cães estão sendo adestrados para permanecer a uma distância de 10 metros da grade ao redor do supermercado, mas avisa: vão atacar quem invadir o espaço interno.
Sobre os perigos que representam às pessoas que passam pelo local, bastante movimentado, João Batista afirma: ‘‘Comercialmente falando, ninguém tem que pular uma cerca e entrar na propriedade de outro porque sabe que vai encontrar algum obstáculo.’’ Mas, para evitar problemas, já foram instaladas placas avisando sobre o perigo.
Os moradores próximos ao supermercado parecem não acreditar no risco. O açougueiro Paulo Sérgio Xavier brinca: ‘‘Quero ter dez desses dentro de casa’’. Ele diz que os cães são mansos e permitem até que as pessoas brinquem com eles. Criadores da raça afirmam, no entanto, que até dois anos de idade, esses cães são dóceis, mas após esse período se tornam muito perigosos e agressivos.
Vítima constante de pequenos furtos, a direção da fiação de seda Bratac, na avenida Brasília, adquiriu três cães fila. Os animais, diz o gerente Hélio Noboro Mizokoshi, ficam presos no canil durante o dia e à noite cuidam da segurança da área de oito alqueires. Eles são um reforço ao trabalho do vigia. ‘‘São treinados e perigosos’’, afirma o gerente. Ele observa que são tomados cuidados para evitar o ataque dos cães a funcionários ou clientes.
Mas nem sempre os cães dão bons resultados. Pelo menos é o que diz o funcionário Valdemir Gabriel de Santana, da Usimix, Serviço de Concretagem Ltda., no jardim Rosicler (zona oeste). Três cães fila, conta ele, não davam conta do recado. Diversas vezes a empresa foi vítima de arrombamentos e furtos. ‘‘Um dos cachorros estava muito velho.’’
Atualmente, a empresa utiliza os serviços de uma empresa de segurança. Os filas foram morar num sítio, onde devem estar tendo menos trabalho.

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