Milton DóriaFilaClara Lindaura dos Santos: ‘Toda noite tem mais de 20 mulheres esperando ginecologista’A já penosa espera para conseguir uma consulta nos postos de saúde é ainda mais difícil para os pacientes no posto do parque das Indústrias Pesadas (zona sul). O sofrimento é maior nos dias frios e chuvosos. O prédio não tem cobertura externa e os pacientes passam a noite expostos ao clima para garantir a vaga. Ns maior parte, são mulheres tentando garantir vaga com o ginecologista. O pequeno número de consultas ginecológicas é outro problema do posto que atende vários bairros da zona sul.
‘‘No Orçamento Participativo do ano passado foi aprovada a construção da cobertura e a colocação de bancos do lado de fora mas nada foi feito’’, diz a integrante do Conselho de Saúde do bairro, Clara Lindaura da Gama dos Santos. Segundo ela, estavam previstos cerca de R$ 20 mil para as reformas no posto. ‘‘Ampliaram a sala de espera interna. Não usaram nem metade da verba.’’
A solução no setor ginecológico, segundo Clara, seria a contratação de mais um médico para atender no mínimo três vezes por semana. Ela faz questão de dizer que o atendimento prestado pelo ginecologista atual é ‘‘excelente’’ mas insuficiente. A clínica geral e a pediatria já funcionam com dois médicos no posto. De acordo com os funcionários, diariamente são atendidas 300 pessoas no posto. O ginecologista atende 12 pacientes por dia, de segunda a sexta-feira. Dois dias da semana são exclusivos para atendimento de gestantes. Segundo estimativas da integrante do Conselho de Saúde, cerca de oito pacientes ficam sem consulta ginecológica todos os dias. ‘‘Todas as noites tem mais de 20 mulheres esperando para marcar consulta ginecológica.’’
O secretário Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, afirma que a falta de profissionais ocorre em toda a rede de postos. O déficit, segundo ele, é de 300 profissionais, entre médicos, enfermeiros, dentistas, auxiliares e até pessoal administrativo. ‘‘Sabemos que a reclamação é justa, mas a curto prazo não temos como resolver por falta de recursos financeiros’’, lamenta. ‘‘Como podemos assumir novos gastos se mal conseguimos quitar a folha de pagamento?’’ Acreditando que a atual crise financeira não é ‘‘eterna’’, o secretário garante que as providências serão tomadas assim que a Prefeitura consiga se adequar à situação.

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