Na zona oeste, a conquista da paz
O casal Gregório Lemes dos Santos, 72 anos, e Maria Natal Ferreira dos Santos, 70, vive no Jardim Nossa Senhora da Paz, na Zona Oeste, há 30 anos - desde quando mudaram-se de Marialva para Londrina em busca de trabalho. Eles acompanharam a evolução da favela - que por décadas foi considerada a mais violenta da cidade - para o bairro e garantem que a urbanização só trouxe coisas boas. ''Tinha muita briga, muita morte'', rememora Santos.
Quando chegou em Londrina, em 1974, o casal construiu um barraco onde hoje está erguida a casa entregue pela Prefeitura durante o projeto de urbanização da área. ''Aqui era favela, era feio e cheio de barracos'', recorda Maria, ressaltando que há 15 anos eles desfrutam do conforto da casa de alvenaria na qual terminaram de criar os cinco filhos.
Segundo Santos, a água encanada foi a primeira benfeitoria da Prefeitura no bairro. ''No início a gente só bebia água de poço e era fácil encontrar gato morto dentro do poço. Mesmo assim todo mundo só bebia dessa água'', lembra o servente de pedreiro aposentado.
Para ele, o acordo de paz entre as comunidades do Jardim Nossa Senhora da Paz e da favela Pantanal, este ano, serviu para acalmar ainda mais a rotina da vizinhança. ''A vida aqui está cada vez melhor. Surgiu a paz agora e é bom demais'', completa Maria.
A atendente Marlene dos Santos Silva concorda que o fim da violência foi a principal conquista da antiga favela da Bratac até hoje. ''Morava numa casa feita de compensado de madeira, bebia água de poço e pisava no barro porque não tinha asfalto. Mas foi nesse bairro que me criei, me casei e eduquei a minha família'', narra Marlene, contente com a mudança de sua realidade. ''A vida melhorou bastante. Com a violência, a gente não tinha sossego, não saía de casa. Hoje não tem mais isso.'' (M.G.)





