Na Waleservice, desânimo e revolta
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terça-feira, 13 de maio de 1997
Osmani Costa 
Ontem, o clima foi de desânimo e revolta no escritório da empresa Waleservice, que até o último domingo prestou serviço de segurança à Guarda Municipal nas propriedades municipais e locais públicos (escolas, creches, parques, praças, cemitérios etc.). Os 106 vigilantes que serão demitidos nos próximos dias estiveram na empresa, onde entregaram suas carteiras de trabalho e equipamentos que usavam no trabalho da guarda dos bens públicos desde outubro de 1996, entre eles o uniforme, bonés, coturnos, cassetetes e crachás.
Esta possibilidade de demissão é desesperadora para mim. Tenho dois filhos pequenos e preciso muito deste trabalho. Antes dele, eu havia ficado um ano e dois meses desempregado em Londrina, comenta o vigilante Milton Francisco de Sá, 39 anos.
Até domingo passado, ele era responsável pela segurança da Escola Sonia Pareira, no Residencial do Café (zona norte). Estou muito preocupado com esta situação, com esta ameaça. Acho que o prefeito (Antonio Belinati) não devia desativar a Guarda Municipal e demitir todo mundo assim, sem mais nem menos.
Os vigilantes participaram de uma reunião de esclarecimentos com gerentes da Waleservice e com o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Londrina, Gabriel José Trindade. Na verdade, mais parecia uma despedida coletiva entre amigos e colegas de trabalho.
Nataniel Barroso, 47 anos, que trabalhou meses nas margens do Lago Igapó, é outro inconformado com a demissão: Sou casado, tenho dois filhos, mas aqui tem pessoas com quatro, cinco filhos. Nós não podemos ficar sem este trabalho. O prefeito prometeu na campanha que criaria novos empregos, e agora está fechando os que já existiam. Isto é um absurdo.
O gerente da Waleservice, Eduardo Toti, explica que, com a suspensão do contrato de prestação de serviços à Prefeitura, a demissão dos 106 vigilantes é inevitável. É uma pena, porque todos eles são ótimos trabalhadores; foram selecionados entre 1.200 candidatos no ano passado e treinados por empresas especializadas. Mas a empresa não pode arcar com os custos - cerca de R$ 48 mil mensais só de salários - sem o repasse da Guarda Municipal, afirma Toti.
Segundo ele, a Waleservice continuará insistindo junto à Prefeitura para que um novo contrato, mesmo que temporário, seja acertado e a empresa volte a prestar o serviço de segurança nos espaços públicos da Cidade e possa manter o emprego dos vigilantes.
Nosso serviço é de boa qualidade, reconhecido pela população. E os bens públicos não podem ficar abandonados, sem o serviço de vigilância, que é essencial, ressalta Eduardo Toti.
Também o presidente do Sindicato dos Vigilantes, Gabriel Trindade, está bastante revoltado com esta demissão em massa que atinge sua categoria. Não vamos admitir calados este desemprego provocado por uma atitude impensada do prefeito Belinati, que na campanha eleitoral prometeu ser o prefeito do emprego, afirma Trindade. Ainda mais porque a desativação da Guarda Municipal coloca o patrimônio público à mercê da depredação e em risco a vida de milhares de pessoas nas escolas, creches e outros órgãos municipais, ele ressalta.
Na opinião dele, o prefeito Belinati deve rever sua posição e manter a Guarda Municipal e os empregos dos vigilantes: Nossa cidade já vive uma séria crise de desemprego; não é possível que o prefeito venha colaborar para o agravamento dela.
Ontem à noite, Trindade e uma comissão de vigilantes da Waleservice teriam audiência com o prefeito Antonio Belinati, quando exporiam a situação de inconformismo e desespero dos 106 ameaçados de demissão.


