Na volta, é grande o número de cadeirantes
Passada a experiência da ida, a volta poderia ser mais tranquila. Mas neste momento as dificuldades maiores ainda estão por vir. Com a saída dos alunos, às 17h30, a aglomeração de pessoas no ponto de ônibus é certeira. O problema está na quantidade de cadeirantes, é maior que a disponibilidade de espaço nos ônibus. Já cheguei a ficar mais de hora esperando minha vez. Quando é assim, prefiro ir a pé, que chego antes, lembra a mãe.
A essa altura, o sol já perdeu a força, e o friozinho típico de fim de tarde de inverno toma lugar. À espera do primeiro ônibus da volta, Ana Paula tira da bolsa um cobertor e o mamá de Aninha, que abre a boca assim que vê a tão esperada mamadeira. Tenho que dar agora o leite porque o carro vai estar bem cheio, antecipa. Com a certeza de quem faz o trajeto diariamente, a mãe acerta a previsão, mas tem a sorte de ser a única com cadeirante no dia.
Já instaladas, as duas se espremem diante das dezenas de pessoas em pé. Em função da quantidade de passageiros, fica impossível falar com a mãe durante o trajeto. O percurso vai levar mais meia hora até que chegue novamente ao Terminal Central. Fora o aperto, hoje não teve nada mais grave.
Já passa das 18 horas, horário em que muitos saem do trabalho. Só resta mais um ônibus para que mãe e filha cheguem em casa depois de uma longa jornada. Quando nos aproximamos da linha do Marabá, constatamos que a fila não existe, tamanha a quantidade de pessoas. A mãe nos olha e comenta: Agora vai ser complicado. E mais uma vez, ela está certa.
Os passageiros entram no ônibus disputando espaço uns com os outros e é difícil imaginar como Ana Paula vai conseguir entrar com o carrinho. É preciso que o cobrador grite e peça para as pessoas darem licença. É quando muitos ficam nervosos e reclamam de ter que sair do lugar que conseguiram.
O que eu posso fazer? Eu tenho que entrar aqui, diz Ana Paula irritada com uma mulher que reclama repetidamente. A reportagem também tem dificuldades em entrar no ônibus, e mais uma vez fica impossível estabelecer qualquer conversa. As pessoas dividem espaço com o carrinho de Ana Gabrielly. Preciso ficar atenta, tem gente que se apóia nas pernas dela.
Durante todo o percurso o ônibus segue cheio, só esvaziando perto do ponto de descida da mãe. Foram mais trinta minutos desde o Terminal. O céu já está escuro e, finalmente, o trajeto acaba. Mãe e filhas chegam em casa cansadas depois da maratona. Essa é minha vida. Fico praticamente o dia todo em função da minha filha. Não reclamo, porque faço tudo de coração, mas é muito difícil, admite. (M.T.)





