Os copos usados para tomar cachaça são lavados com uma torneira com baixa vazão. A água se esvai no ralo, entra no cano e cai em um balde de plástico de 20 litros. Quando ele enche, a água é jogada na sarjeta. O dono de bar Elias Gonçalves Rodrigues faz isso dezenas de vezes por semana. ''É porque a fossa está lotada e não tem mais espaço no meu quintal para fazer outra.''
Rodrigues mora há 24 anos na Vila Santa Inês, um dos bairros mais antigos e pobres de Andirá. Sua relação problemática com a água não é exceção entre os moradores. É quase uma regra. ''Como é que pode? O bairro mais antigo não tem um metro de rede de esgoto?'' O comerciante conta que a cobertura de uma das três fossas do quintal ameaça desabar e que não sabe mais o que faz.
Luis Moioli, 78 anos, aluga um conjunto de casebres da vila. Não há água encanada nem rede de esgoto. As seis pessoas que vivem em cinco dependências usam água de poço. De alta rotatividade, o local já abriga três fossas e uma quarta está sendo cavada. ''É tudo muito caro. Prefiro tomar água do poço e cavar minhas fossas'', dispara.

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