Na UEL quase não há desistências
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sexta-feira, 08 de dezembro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Marciano Rodrigues, 28 anos, sempre esteve ligado às questões sociais e políticas da terra indígena Laranjinha, em Santa Amélia (63 km ao sul de Cornélio Procópio), onde nasceu. Há quatro anos, ele deixou a comunidade e mudou-se para o Jardim Edi, na Zona Oeste, para ingressar no curso de Administração na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
''Como estudei contabilidade e sempre fiz cursos relacionados à administração e empreendimento, pensei que estava no caminho certo'', contou. No decorrer da faculdade, ele descobriu que sua verdadeira vocação é ajudar o próximo e resolveu trocar o curso de Administração pelo de Ciências Sociais, há um ano.
Desde então, Rodrigues tem se dedicado à Comissão Universidade para os Índios (Cuia) da UEL que, segundo ele, orienta os estudantes indígenas no ingresso ao ensino superior e acompanha a evolução do índio durante o curso.
''A principal dificuldade na universidade é a adaptação. Muitos já são casados, inclusive têm filhos, e a realidade vivida na comunidade é muito diferente do que acontece na escola'', assinalou Rodrigues, contando que, por falta de acompanhamento, muitos estudantes indígenas sentem-se perdidos e acabam por abandonar a faculdade.
A dificuldade extrapola também para a questão pedagógica. Como a educação nas aldeias é bastante precária, muitos têm dificuldades de aprendizado na universidade. ''Felizmente, com o acompanhamento da comissão, os estudantes indígenas da UEL não têm abandonado os cursos'', comentou Rodrigues, que fora a mudança de curso, não sentiu tanta dificuldade em adaptar-se à vida na cidade.
Segundo ele, 15 índios estão matriculados na UEL, hoje, com destaque para cursos na área de saúde. ''Muitos estudam o curso indicado pela comunidade, mas o trabalho da comissão é fazer com que o aluno escolha seu próprio curso'', disse o estudante, ressaltando que a expectativa da comunidade é que o índio retorne à sua terra depois de concluir os estudos.
Rodrigues informou ainda que a UEL conta com um grupo de estudos indígenas, voltado a projetos para as comunidades do Norte do Paraná. Entre as ações estão a realização de um documentário, para resgatar a memória indígena da região, além do reflorestamento das aldeias e um programa na Rádio Universidade, com destaque para música e língua indígena.


