Setenta e cinco candidatos deixaram de comparecer ao terceiro dia do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), totalizando 1.444 ausências desde o início das provas. Após os testes de ontem, o clima era tranquilo no câmpus universitário, com grande parte dos vestibulandos deixando as salas antes das 17 horas. No dia dos exames de matemática e física – considerados as grandes vilões do concurso – muitos estudantes apelaram para a sorte e arriscaram na maioria das questões.
Ana Paula Zanin, concorrendo a uma vaga em odontologia, está entre os que ‘‘chutaram tudo’’. ‘‘Matemática estava mais difícil, mas eu chutei na prova de física também. Não estou muito preocupada porque é o meu primeiro vestibular e já não consegui média desde o primeiro dia. Está valendo a experiênica’’, conformou-se. Hoje acontecem as provas de geografia, história e língua estrangeira.
A dificuldade das provas não é a única preocupação para os candidatos que vêm de fora. No penúltimo dia do concurso, também começa a faltar dinheiro para as despesas com transporte e alimentação. ‘‘Vou ter que ligar para a minha mãe pedindo mais dinheiro. Pago comida e táxi, além dos passeios ao shopping. Estou gastando cerca de R$ 15 por dia, as despesas foram maiores do que eu imaginava, mesmo estando hospedado em casa de parentes’’, afirma Herbert Ronald Leme, pleiteando uma vaga em direito.
Os candidatos hospedados em hotéis acumulam despesas ainda mais ‘‘salgadas’’: em média, são R$ 400 durante os quatro dias de prova, incluindo hospedagem, alimentação, transporte e a taxa de inscrição. Ana Cláudia Marciliano e Marcelo de Faria, vindos da região oeste do Paraná, contabilizavam gastos de R$ 350 até ontem. ‘‘Trouxemos um cartão para emergências, mas ainda não precisamos usar. Apesar de sairmos bastante à noite, ficamos do lado de fora dos bares e boates, só olhando o movimento. É o segredo da economia’’, ensinam.
A falta de dinheiro e as baixas temperaturas não assustam os candidatos mais boêmios. Na Casa da Cachaça – tradicional ponto de encontro dos vestibulandos – o movimento tem sido grande desde sábado. ‘‘Atendemos cerca de 400 clientes nas mesas diariamente, mas agitação em frente ao bar é muito maior’’, diz Gilson Ferreira, gerente da empresa.

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