'Na terapia percebi que era bem simples'
A professora universitária Olegna de Souza Guedes, 42 anos, levou um susto quando se viu em vídeo brincando com o filho Alexandre, de quatro anos: ''Apesar de não ter feito nenhuma crítica, também não fiz nenhum elogio durante os 20 minutos de brincadeira. Não imaginava que aquilo era um problema''.
Olegna procurou a Clínica de Psicologia da UEL depois que passou a observar alguns comportamentos no filho, e foi atendida, apesar do menino não estar exatamente dentro do perfil procurado pelo projeto. ''Algumas coisas estavam me preocupando'', conta.
Segundo a mãe, Alexandre ficava muito triste com algumas cenas de sofrimentos dos filmes infantis. ''Já tivemos que sair do cinema no filme do Nemo e do ursinho Pooh, porque ele não tolerava as cenas tristes''. Olegna conta que também percebeu que ele era muito querido pelos amigos, mas que era sempre muito ''bonzinho'', ''sempre agradando, mesmo que saísse perdendo''. Outro fato notado pela mãe foi o alto nível de exigência nas tarefas da escola: ''Se saísse um 'errinho de nada', ele já riscava''.
''Na terapia percebi que a coisa era bem simples, e que não era ele que tinha problemas, mas eu, que tinha vários'', conta. Achando que a falta de interação nas brincadeiras com o filho era ''respeitar o seu espaço'', Olegna admite que ''não foi fácil'' aprender a elogiar. ''Demorei para aprender, não sabia o que era elogiar, parecia forçado. Mas li textos e cheguei a decorar palavras ('ótimo', 'jóia', 'muito bem') para usar e, no fim do sexto encontro, já estava ótima, e meu filho muito fortalecido''.(C.P.)





