Uma rua que se transforma ao longo de seus quatro quilômetros de extensão: assim é a Rua Senador Souza Naves, que começa na Alameda Manoel Ribas, no Centro, e termina na Travessa Presidente Costa e Silva, no Jardim Petrópolis, Zona Sul de Londrina. O nome é uma homenagem ao senador mineiro Abilon de Sousa Naves, que além de jornalista e comerciário, foi presidente da Caixa Ecomônica Federal, na década de 1950.
A transformação da rua tem começo e fim definidos: a via é bastante comercial em sua primeira metade, até cruzar a Avenida Bandeirantes, e sutilmente se torna residencial ao final, quando margeia o Lago Igapó.
É na Souza Naves que se encontram muitas óticas. Aliás, clínicas e centros de diagnóstico - ao todo são 113 - não faltam na rua que conta com um dos maiores hospitais da região, a Santa Casa. A via também concentra escritórios de contabilidade (50), farmácias (15) e restaurantes (11). Hotéis completam a lista de estabelecimentos que fazem da Souza Naves uma rua onde se encontra de tudo.
Já às margens do Igapó, a paisagem muda. A rua ganha mão dupla e os prédios comerciais dão lugar a condomínios residenciais de alto padrão, construídos ao redor de muito verde. É na segunda metade da rua que concentram-se o Monumento à Bíblia, a Escola Municipal de Dança, o Fotoclube de Londrina e os fundos do novo Fórum e da Prefeitura.
A esquina com a Rua Lucila Balalai, bem em frente ao monumento, já foi a reta final da rua. É lá que vive a família do aposentado Luiz Carlos Perazolo, há 38 anos. Segundo ele, o local já foi sinônimo de tranquilidade. Hoje, o movimento dos carros atrapalha o sono dos moradores. ''Na hora do rush não consigo estacionar na minha garagem porque passa muito carro. O barulho também incomoda bastante'', opinou Perazolo, que pretende se mudar para um condomínio fechado. Ele lembrou que quando comprou a casa o bairro era definido como residencial. Mas com o passar dos anos, o comércio superou as residências.
Corajosos, os irmãos Benato têm orgulho de manter um dos únicos casarões remanecentes da década de 1940, quando a Rua Souza Naves era formada por casinhas de madeira e os vizinhos se reuniam para acender fogueiras, tomar quentão e comer bolo de milho. ''São 68 anos perdurando aqui'', contou o aposentado Omeletino Benato, que mora na casa que foi construída pelos pais, em 1939, com outros quatro irmãos.
''O perfil da rua mudou bastante. Era tudo mato, muito gostoso. Quando mudamos para cá, as ruas já estavam abertas, mas as quadras eram mata'', recordou o morador, que pretende preservar o imóvel em respeito à história.
''O barulho sempre incomoda, mas temos tudo perto: farmácia, chaveiro, padaria, supermercado, hospital. É cômodo viver aqui'', completou Benato, lembrando que as festas juninas eram realizadas na porta da casa dele, no número 385. ''Tinha muita lenha e meu pai fazia aquela fogueira. Não tinha luz, então a madeira ia queimando por dias. O povo era amigo, solidário. Não havia brigas'', descreveu.
Dona de uma lanchonete na esquina das ruas Piauí e Souza Naves, a mais fria da cidade como os próprios clientes brincam, Sueli Yamashita dos Santos Saito acompanha o desenvolvimento do comércio na via há seis anos. Para ela, o movimento diminuiu em razão da forte concorrência. ''Quando procuramos um local para abrir o negócio, este ponto chamou atenção justamente pelo movimento. No início, eramos os únicos neste pedaço da rua'', rememorou Sueli, reforçando que região também já foi mais segura. ''Não se ouvia falar em assalto à mão armada. Hoje, vários comércios vizinhos sofreram tentativas de assalto'', comentou a empresária, que ainda assim não reclama. ''Pautamos nosso negócio na qualidade dos produtos ofertados, por isso sobrevivemos bem.''

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