Na rua, uma multidão de curiosos
Os cerca de 250 funcionários do turno da tarde da Folha mal haviam acabado de entrar, um pouco antes das 14 horas, quando souberam da ameaça de bomba. A saída do prédio foi tranquila e a maioria não acreditava que a ameaça pudesse ser verdadeira. ''Eu mesma achava que era um trote, uma brincadeira'', disse a recepcionista Zuleica Pereira da Silva.
Segundo ela, o movimento de clientes e assinantes da Folha, ontem, no prédio, foi grande, principalmente de pessoas que foram buscar convites para uma festa à fantasia, que tem patrocínio do jornal. ''Mas não veio ninguém aqui que despertasse a atenção, com sacola ou caixa'', ressaltou Zuleica.
Do lado de fora do prédio, na Rua Piauí, além dos funcionários da Folha, dezenas de curiosos se aglomeraram no local. Moradora do prédio vizinho à Folha, Rosamaria Lopes, de 82 anos, trouxe uma cadeira para que pudesse ter onde sentar, enquanto esperava pela perícia da PM para poder voltar para o seu apartamento. ''A gente fica preocupada, não é?'', disse.
O trânsito na Rua Piauí foi interditado e seis viaturas da PM tomaram a rua em frente à Folha. Aos poucos, o local também foi tomado pela imprensa local, com equipes de TVs, rádios e jornais. Os curiosos acompanhavam atentos tudo o que acontecia, principalmente com a chegada da equipe antibombas, que veio equipada com escudos e espelhos: ''Já encontraram?'', especulavam. ''Mas o que era aquela caixa preta nas mãos dos policiais?''.
Aos fotógrafos da Folha, a PM solicitou que fizessem muitas fotos de quem estava no local. Como ainda não se sabia se realmente existia uma bomba, ou se era apenas um trote, o objetivo era tentar identificar o autor do telefonema, que em ocasiões como essas costuma ficar pelas redondezas do tumulto. ''A polícia pediu fotos, porque quem fez a brincadeira pode estar por perto'', disse o editor de fotografia da Folha, Sérgio Ranalli.
Quase uma hora depois que a PM entrou no prédio da Folha, e ainda sem novidades, o clima já era de descontração. As cozinheiras Gilda Zaninelo, de 47 anos, e Luzinete Maria da Silva Rosa, de 39 anos, por exemplo, conversavam animadamente na portaria do prédio ao lado da Folha, levantando hipóteses para o ocorrido: ''Para mim foi uma brincadeira de mau gosto, quem fez tinha que pagar por isso. Não quero acreditar (que possa ser verdade), mas hoje em dia...'', disse Gilda. ''Hoje a gente praticamente não trabalhou'', acrescentou Luzinete. (C.P.)





