Na região, número de homicídios aumenta 27%
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terça-feira, 23 de novembro de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
O tráfico de drogas e as brigas entre grupos rivais configuram uma realidade cada vez mais preocupante na Região Metropolitana de Londrina. Nos principais municípios vizinhos, o número de homicídios registrados cresceu 27%, até novembro de 2004, com relação ao total de crimes contra a vida cometidos em 2003. Durante todo o ano passado, foram 59 assassinatos registrados em Cambé, Ibiporã, Rolândia e Arapongas. Até ontem, os mesmos municípios apresentavam, somados, o índice de 75 mortes.
Como em Londrina o número de homicídios é menor que no ano passado - foram 193 mortes registradas em 2003, contra 159 assassinatos até ontem - o delegado da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, acredita que pode estar havendo uma migração do crime. ''Alguns casos pontuais demonstram que traficantes de Londrina, motivados por ações da polícia e outras instituições, passam a atuar em outras cidades'', comentou.
O maior aumento da região aconteceu em Ibiporã, onde a estatística de 19 homicídios deste ano supera em mais de 100% as nove mortes registradas no período anterior. Há dois meses frente à delegacia do município, o delegado Fátimo de Siqueira informou que o envolvimento com drogas é a principal causa das mortes. Segundo ele, a briga entre duas gangues de traficantes rivais, que vivem em Londrina mas atuam em Ibiporã, é responsável por quatro assassinatos.
O cenário se repete em Arapongas, onde foram 15 crimes contra a morte cometidos em 2004, ante nove registros em 2003. O delegado Sérgio Luiz Barroso confirma que os acertos de conta por dívida com traficantes lideram o motivo das mortes. Para ele, porém, a principal causa da violência é a desigualdade social. ''As pessoas não têm emprego, habitação e condições dignas de vida''. Em Cambé, a situação permanece estável: foram 33 assasinatos no ano passado, contra 35 mortes até ontem. Apesar do cenário, o delegado Valdir Abrahão da Silva preocupa-se com o crescimento da criminalidade em toda a região e apóia o combate às desigualdades. ''As crianças de hoje vão se tornar os criminosos de amanhã'', sentenciou. Para ele, Londrina, Cambé e Ibiporã enfrentam os mesmos problemas relacionados ao tráfico e à briga entre grupos rivais. ''A banalização dos crimes contra a vida é uma tendência nacional'', afirmou.
Rolândia é o único município da região que apresenta números positivos. Enquanto a polícia registrou oito mortes no ano passado, o índice caiu para seis assassinatos até novembro de 2004. ''Os crimes estão contidos'', informou o delegado Walter Helmut. Ele atribui a performance ao trabalho integrado entre as polícias Civil e Militar. ''Agimos em total parceira, como se fossemos uma só corporação'', comentou.


