Telma Elorza
De Londrina
No Norte do Estado, a 2ª Companhia da Polícia Rodoviária considerou o protesto dos caminhoneiros aquém do esperado. Segundo o comandante da companhia, capitão Washington Alves da Rosa, a polícia estava preparada para garantir a fluidez do trânsito e evitar depredação de patrimônio público e privado.
Segundo o capitão, foram disponibilizados 40 policiais da Companhia – com apoio de batalhões da Polícia Militar – para as cinco praças de pedágio compreendidas em sua área de atuação. ‘‘Mas pela informações que tivemos, só houve manifestações mais significativas em dois pontos e, mesmo assim, pacífica’’, afirmou.
Em Jataizinho (21 km a leste de Londrina), os caminhoneiros começaram a parar no acostamento a cerca de 1,5 km da praça de pedágio, no sentido Jataizinho-Cornélio Procópio. Por cerca de quatro horas, 50 caminhões ficaram estacionados no pátio de um posto de combustível e nos acostamentos, formando uma fila de mais de um quilômetro de ambos os lados. Por volta do meio-dia, os caminhoneiros começaram a seguir viagem.
A intenção, segundo o produtor rural José Carlos Pinto, que aderiu ao movimento, era ficar parado ali pelo tempo que fosse necessário até a tarifa abaixar. Segundo o produtor, que é de Londrina mas tem propriedade rural em Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio), ele vai gastar cerca de R$ 20,00 por dia para ir e voltar de sua propriedade e transportar seus produtos. ‘‘E este prejuízo a gente vai ter de repassar ao consumidor’’, avisou.
Segundo o caminhoneiro Alcides Martins Quasme, proprietário de quatro caminhões, se o governo estadual não abaixar as tarifas de pedágio ele vai ser obrigado a despedir dois motoristas e retornar à estrada.
Na praça de pedágio de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), a movimentação só começou por volta das 12 horas, quando alguns caminhoneiros foram se reunindo a um quilômetro do posto, no sentido Rolândia-Arapongas. Vários se mostravam indignados com os policiais rodoviários que não os deixavam ficar na pista. Ele reclamou que, com a tarifa, vai ficar impossível trabalhar. ‘‘De Londrina a Curitiba, o frete sai a R$ 280. De combustível a gente gasta R$ 170. Só de pedágio vai ficar R$ 50. É só fazer as contas, vai sobrar R$ 50,00 sem contar alimentação e a manutenção do caminhão.’’
Também em Arapongas, estudantes do curso de direito da Universidade Norte do Paraná, apoiou o movimento dos caminhoneiros com um protesto-relâmpago. Com cerca de 20 pessoas e cinco carros, os estudantes interditaram a praça por cinco minutos até serem retirados pela polícia. Segundo Ricardo Castro, um dos universitários, o protesto foi a forma encontrada para reclamar do aumento da tarifa. ‘‘A gente passa por aqui todo dia para estudar e o aumento foi abusivo’’, afirmou.