Na região da Catedral, carros são principais vítimas
A Catedral da cidade, quem diria, passa pelos seus 30 anos de atividades tendo que conviver com a violência urbana e o vandalismo. A imagem do Sagrado Coração de Jesus foi alvo de uma peça nem um pouco espirituosa há duas semanas. Anexa à porta lateral da casa junto ao Bosque, a imagem é muito procurada pelos fiéis e fica ao alcance da mão das pessoas. ''Alguns estavam sentindo um cheiro diferente, e depois vimos que a mão da imagem estava suja de fezes'', relembrou o monsenhor da paróquia, padre Bernardo Carmel Gafá. O sacrário também não foi poupado.
Não é só o vandalismo que preocupa. A região da Catedral também vem sofrendo com a ação de alguns ladrões. O alvo preferido são os carros estacionados ao redor do templo. Conta o monsenhor que, há pouco tempo, o carro de um fiel que estava na missa foi roubado. Um flanelinha entrou para avisar o proprietário, enquanto que o ladrão fugia com o veículo. ''Alguns dias depois, um grupo espancou o flanelinha, quebraram a cabeça do rapaz por que ele teria denunciado o furto''. recordou.
Além de flanelinhas, existem outros alvos das ameaças. Segundo o monsenhor, um dos cinco funcionários responsáveis pela manutenção da catedral está ameaçado por ter ''denunciado'' a ação dos ladrões que infernizam os arredores. ''Já pedimos à polícia uma maior atenção aqui na área, pois os fiéis estão se sentindo inseguros'', afirmou.
No início do mês passado, a Folha de Londrina flagrou a prisão de um rapaz suspeito de tentar arrombar um veículo estacionado entre a Catedral e um bosque. Ele foi surpreendido pela chegada de um policial da Companhia de Trânsito do 5º Batalhão da Polícia Militar, mas seus dois cúmplices conseguiram fugir. Comerciantes que trabalham nas proximidades contaram que, com medo das frequentes ameaças que recebem, preferem não denunciar os marginais. Os ladrões teriam como base o Bosque, e aterrorizam a região sobretudo após o fim do horário de zona azul.
O comandante do 5º BPM, tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza, diz que já está sendo discutida uma ação conjunta entre polícia, igreja e o município para trazer mais segurança à área da Catedral. ''Os ladrões que agem ali formam a confusão e depois fogem por dentro do bosque'', ressaltou. Ele destacou a falta de respeito que hoje existe em relação a igrejas e religião, tão grande no passado. ''Não importa mais se é uma missa ou um culto, onde há aglomeração de pessoas em Londrina surgem os furtos e roubos'', lembrou.
O comandante comentou que uma ação preventiva da PM é dificultada, no caso das igrejas, pela coincidência de horários da maior parte das missas. E pede também a ajuda da população e dos fiéis na vigilância. ''Assim como ocorre no policiamento comunitário, os paroquianos precisam denunciar vândalos e ladrões, e prestar atenção às atitudes estranhas'', frisou.





