Londrina

Josoé de CarvalhoBrincadeira perigosaCiclista pega carona na ‘rabeira’ de um caminhão: mesmo sem dados oficiais, PM acredita que número acidentes provocados por caronistas é grandeEmoção, adrenalina, preguiça de pedalar em subidas mais íngrimes ou por ‘‘pura farra’’. Estes são os principais motivos que levam os meninos a pegarem carona de bicicleta, na ‘rabeira’ de caminhões e ônibus na Cidade. A Companhia de Trânsito não tem nenhuma estatística de quantos atropelamentos este tipo de ‘aventura’ vem provocando, mas o número de acidentes é grande. É que, na maioria das vezes, as crianças, vítimas desta brincadeira perigosa, não contam a verdade aos pais. Dizem que foram fechados por um carro e caíram. E o acidente, quando notificado, é registrado como tal.
‘‘Se minha mãe sabe que eu pego carona na rabeira dos caminhões ela me bate’’, conta João (nome fictício) de um adolescente de 18 anos abordado pela Folha quando pegava carona na rabeira de um caminhão na subida da avenida Winston Churchill, na direção dos Cinco Conjuntos (zona norte). Ele estava com outros dois amigos: Pedro, de 14, e Paulo de 15 anos - nomes também fictícios - que também estavam fazendo o mesmo. Os meninos só aceitaram dar entrevista com a garantia de que suas identidades fossem resguardadas.
João já caiu pelo menos uma vez quando pegava carona. ‘‘Me ralei todo e levei um grande susto. Agora só pego carona de vez em quando’’, disse. Mas Paulo nega a versão do amigo. ‘‘Imagina, toda vez que a gente vem por aqui a gente pega carona nas rabeiras’’, entrega. Os três moram na zona norte e tinham ido até o centro para passear. Paulo assume que pegar carona na rabeira dos caminhões é ‘‘divertido e dá adrenalina’’, mas adianta que é preciso ter técnica para não acabar atropelado.
‘‘Segurar na lateral perto da roda do caminhão, como aquele moleque que morreu estes dias, é suicídio. Certo é segurar só na parte de trás, mantendo a bicicleta sempre perto do meio-fio. Qualquer coisa é só largar o caminhão e jogar a bike sobre o meio-fio’’, ensina. Antes da entrevista, pendurado na traseira do caminhão, Paulo fazia a bicicleta deslizar lateralmente conforme o movimento do caminhão nas curvas da subida. Apesar das dicas de Paulo, foi fazendo isto que Pedro se machucou. ‘‘O problema é que os motoristas sacaneiam. Ficam fazendo ziguezague na pista e às vezes até param bruscamente para fazer a gente largar e acabam derrubando a gente’’, sentencia Paulo.
Há cerca de um mês e meio, ele estava subindo a avenida Higienópolis de carona em um ônibus, quando perdeu o equilíbrio e caiu. Do acidente Pedro ainda guarda sinais das escoriações no rosto e pernas e quatro pontos no queixo. À mãe, ele disse que teve a bicicleta fechada por um carro. Esta foi a segunda vez que ele se acidentou neste tipo de aventura e ontem continuava perseguindo os caminhões. ‘‘Pedalar isto tudo é muito difícil’’, disse apontando para a subida da Winston Churchill.

mockup