Na primeira sessão, Deus é atração
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 1997
Apolo Theodoro 
Deus, este mesmo que não sai da boca dos homens, foi o grande personagem da primeira sessão ordinária da nova Câmara Municipal de Londrina, realizada na tarde de ontem. E se o santo nome do Criador não foi mais uma vez citado em vão, por certo os londrinenses terão um Legislativo bastante atuante e sério.
Só para se ter uma idéia do que foi essa abençoada sessão, lá estavam um padre e um pastor, além do prefeito Antonio Belinati que, como todo mundo sabe, não fala duas palavras sem colocar Deus no meio. Sem esquecer de Renato Araújo, ex-seminarista e que, convertido, se tornou afiado numa oração e cheio de citações religiosas, como convém a qualquer crente que se preze.
Mas a grande surpresa do dia ficou por conta de Antenor Ribeiro. Não é que o vereador/radialista, pra espanto geral, atacou de francês e sapecou um decorado Pai Nosso na língua de La Fontaine para uma platéia que ficou boquiaberta diante de tamanha erudição.
Dos ministros que comandaram o ato religioso, a melhor ficou por conta do pastor Celsino Marques de Azevedo, presidente do Conselho de Pastores Evangélicos. Ele revelou que costuma orar em volta da Câmara depois da meia-noite, junto com outros evangélicos e, numa dessas ocasiões, depois de uma longa conversa espiritual com Deus, contou ter ouvido do próprio Chefão que Londrina não precisa mais ser conquistada por Jesus - como pedia Celsino - porque ela já é do meu filho que conquistou o governo da cidade. Belinati, na mesa de honra, ficou todo cheio. O outro religioso presente foi o monsenhor Bernardo Gafá, representando o arcebispo Dom Albano Cavalin.
Terminada a fase louva-Deus, a primeira sessão de 97 teve início. Primeiro a falar, Antenor Ribeiro esqueceu o francês e, na língua pátria, prometeu encaminhar um requerimento ao prefeito pedindo que ele cumpra a chamada Cláusula de Reversão e requisite a frota de ônibus da TCGL caso aquela empresa continue emperrando o processo de licitação para o transporte coletivo da Cidade.
A violência e a falta de segurança em Londrina mereceram a atenção do novato Salvador Francisco. Londrina está parecendo uma cidade do velho oeste americano, uma cidade sem lei, destacou Salvador, prometendo que na sessão da próxima segunda todos os responsáveis pela segurança em Londrina estarão na Câmara para se explicar.
O primeiro requerimento da vereadora Elza Correia foi endereçado ao Executivo. No texto, ela pede que se coloque o nome do ex-prefeito Milton Ribeiro de Menezes, falecido recentemente, na primeira grande obra pública que vier a ser construída na Cidade. E, junto com Salvador Francisco, Elza também encaminhou requerimento à Copel e Sanepar pedindo que aquelas estatais cumpram a lei nº 10.238/93 que isenta, durante 6 meses, os desempregados de pagarem as contas de água e luz.
Ainda sobre Elza, parece que ela está com o nome do ex-vereador petista Francisco Roberto, não reeleito, entalado na garganta. Toda vez que ela se dirigia a Salvador Francisco, trocava as bolas e chamava-o de Francisco Roberto, primeiro suplente da coligação que a elegeu e, dizem, bronqueado com a vereadora desde a campanha eleitoral.
Já o presidente da Câmara, Adalberto Pereira da Silva, ocupou a tribuna para denunciar a fortuna - R$ 3.918.671,92 - gasta pelo Estado no mês de novembro do ano passado para divulgar os Jogos Mundiais da Natureza e ações do Governo. E o que deixou Adalberto mais indignado foi observar que, do total gasto, R$ 2.226.361,60 foram desviados do IPE (Instituto de Previdência do Estado). Adalberto prometeu encontrar uma forma de questionar esses gastos.
Dos projetos de leis em discussão, o que proíbe a destinação do autódromo, dos estádios de futebol e dos ginásios de esportes da Cidade para prática de promoções estranhas à destinação e à finalidade desses próprios públicos, de autoria do vereador Célio Guergoletto, foi aprovado em primeira discussão, mas deverá receber substitutivo impedindo que a proibição se estenda aos eventos artísticos, culturais, religiosos e cívicos.
Já o projeto de lei, também de Guergoletto, que fixa o limite mínimo de benfeitorias a serem realizadas antes da entrega de novos loteamentos, foi retirado de pauta por tempo indeterminado. Da primeira sessão, ainda a se destacar, a briga comprada pela segunda-secretária Elza Correia com Jaci Aguiar, que levou falta por ter chegado atrasado à sessão.


