Quem ouve Dora (nome fictício), 26 anos, dizer que encontrou paz, liberdade e felicidade, mal pode acreditar o que ela passou nos últimos tempos. Ex-caseira, Dora deixou para trás um emprego e boa parte de sua vida para se ver livre do marido, também de 26 anos. ''Era uma vida muito triste. Ele me batia, me chutava, tentava me enforcar. Na primeira oportunidade, peguei meus dois filhos e fugi'', conta.
O que ela chama de ''primeira chance'' surgiu após oito anos sofrendo todo tipo de agressão. Salva de uma tentativa de homicídio no último Natal, Dora saiu da cidade onde morava, no Distrito Federal, com destino à casa da mãe, em Londrina. Foi onde conheceu o Centro de Atendimento à Mulher (CAM), que a encaminhou, junto com os filhos, para um local sob proteção. ''Eu não queria encontrar minha mãe do jeito que eu estava. Grávida, toda machucada, com os dentes quebrados. Resolvi me recuperar e, quando finalmente fui atrás dela, descobri que minha mãe tinha morrido há um mês'', comove-se.
A exemplo de Dora, outras mulheres tentam superar seus dramas com a ajuda de profissionais. Em Londrina, primeira cidade do país a instalar uma secretaria Municipal da Mulher, as vítimas de violência têm no CAM atendimento jurídico, psicológico e social, gratuitamente. Não é preciso apresentar boletim de ocorrência policial nem agendar a primeira consulta. ''Orientamos as mulheres sobre seus direitos e buscamos fortalecê-las emocionalmente'', esclarece a diretora do CAM, Sandra Coelho. Ela informou que a Secretaria da Mulher está buscando recursos para implantar um projeto que atenda também aos homens agressores, por meio de grupos de reflexão.
Hoje, serão lançados no CAM painéis educativos referentes à violência contra a mulher. Eles serão afixados em escolas e Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Londrina. Outra novidade que a diretoria do CAM espera anunciar ainda este ano é a criação da Casa Abrigo, viabilizada com recursos do Ministério da Justiça. A casa oferecerá, em endereço não divulgado, proteção para mulheres e filhos, com vigilância 24 horas.

Serviço Centro de Atendimento à Mulher (CAM). Rua Sílvio Pegoraro, 251, Jardim Petropólis (zona sul). Fone: 3341-2312. Atendimento das 8h30 às 17h30.

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