A falta de uma política para ser colocada em prática pode estar inviabilizando o projeto do Ministério da Saúde que pretende reduzir o número de cesarianas realizadas em hospitais que prestam serviços para o Sistema Único de Sáude (SUS). A decisão do governo federal foi anunciada há cerca de dois meses, limitando em 40% o índice de cirurgias. ‘‘O Ministério determinou a redução, mas não ditou as normas para que o resultado seja alcançado’’, diz o presidente do Comitê de Mortalidade Materna da Secretaria Estadual da Saúde, Hélvio Bertolozzi Soares.
O médico explica que ainda é cedo para se ter um levantamento que mostre se número de cesáreas realmente reduziu nos últimos dois meses, no Paraná. ‘‘Qualquer índice analisado hoje mostraria apenas uma situação sazonal, que poderia provocar erros em qualquer avaliação’’, diz. Mas, segundo ele, a aplicação do projeto do Ministério esbarra numa série de dificuldades. Entre elas, a quantidade insuficiente de enfermeiras para a realização dos partos normais, conforme aconselha o Ministério.
Para contornar o problema, a Secretaria Estadual da Saúde já reuniu técnicos para traçar as metas que serão adotadas no Estado. A idéia inicial é de limitar em 30% o índice de cesáreas realizadas nos hospitais paranaenses. Para isso, o médico diz que será preciso seguir uma série de normas, enntre elas a melhoria do atendimento pré-natal, da formação do profissionais de nível médio e do trabalho de humanização do parto normal.
Em 1997, 41,6%, dos 192 mil partos registrados no Paraná, foram feitos através de cirurgias obstétricas. O índice é 26,5% maior do que considerado normal pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo Soares, o número de cesarianas faz com que o Paraná tenha um gasto desnecessário de R$ 3 milhões todos anos. No Brasil, o prejuízo chega a R$ 83 milhões.
Com a determinação, o MS pretende economizar esse dinheiro e fazer com que o Brasil perca o título de campeão mundial de cesáreas. São realizadas anualmente no Brasil, de 400 a 500 mil cirurgias desnecessparias ou com indicação duvidosa, segundo levantamento da Secretaria Estadual da Saúde.
Uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) mostra que entre os fatores que contribuem para o alto índice de cesarianas estão a conveniência médica, a falta de informação da população sobre os riscos das cirurgias obstétricas e a idéia da mulher de que esse tipo de parto é indolor e preserva a anatomia vaginal para as relações sexuais.

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