Na mesma praça, mas em novos tempos
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sábado, 30 de junho de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Um lugar com parquinho para as crianças brincarem no final de semana, um espaço com quadra de esportes, uma área para se fazer tai-chi-chuan ao amanhecer, uma pista para caminhar com o cachorro, um recanto para se relaxar no horário de almoço e até mesmo o palco de um festival japonês. As praças de Londrina já não abrigam mais tantas atividades cívicas e religiosas como antigamente, mas foram adquirindo novas funções com o passar das décadas.
Porém, ao mesmo tempo, muitas delas foram caindo em desuso, enquanto a população reclama do estado de abandono e depredação de outras. Assim, o que fazer com os cerca de 500 espaços destinados à construção de praças existentes hoje na cidade (segundo dados da CMTU), além das 200 praças já existentes?
''As praças passaram a ser menos utilizadas em consequência das mudanças da própria sociedade. Por isso, é preciso reinventar esses espaços públicos'', sugere Humberto Yamaki, professor de geografia, meio ambiente e desenvolvimento, no mestrado em Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina.
Yamaki lembra que, inicialmente, a cidade foi projetada sem praças, mas com jardins, que depois foram sendo modificados até que a lei 216 de 1.953 os oficializasse com os respectivos nomes de praças. Foi assim com a Marechal Floriano Peixoto, a Rocha Pombo, as praças da Rua Quintino Bocaiúva e do Jardim Shangri-lá.
Para se adequarem à realidade atual, uma das sugestões do professor seria a criação de pequenas praças pulverizadas pela cidade, ''já que os espaços grandes têm tendência a serem ocupados de maneiras nem sempre controláveis''. O professor também considera essencial discutir a qualidade do espaço urbano, por meio de fatores como segurança, acessibilidade, conforto, diversidade cultural e registro da passagem do tempo.
''A praça poderia ter elementos que representassem a diversidade cultural da comunidade. Em uma cidade nova como Londrina, também seria importante que a praça conseguisse gravar a passagem do tempo. As praças da rua Humaitá têm 50 anos, mas você nem consegue perceber'', afirma, sugerindo elementos como uma árvore que crescesse e se tornasse imensa, o piso ou o mobiliário.
O professor destaca que flexibilidade de uso também é uma qualidade do espaço público, e que projetar uma praça com facilidade de manutenção não requer necessariamente uma padronização.
''A praça não deve ser pensada simplesmente para cumprir uma obrigação legal. Em alguns empreendimentos, as praças são as sobras, por isso muitas têm formatos diferentes, com pontas. Talvez fosse o caso de começarmos pela praça. Pensarmos a cidade a partir do espaço público, como gerador de forma urbana'', idealiza.
Yamaki lembra, porém, que não há hoje um órgão que assuma a responsabilidade total de uma praça. ''A tendência de homogeneização das praças se deve à divisão de responsabilidades. Uma parte cabe à Copel, outra à CMTU, outra ao Ippul, e à Secretaria de Obras. Não tem alguém que pense a praça de maneira integral'', observa.


